Piloto acusado de chefiar rede de abuso infantil é preso em Congonhas
Piloto preso em Congonhas por chefiar rede de abuso infantil

O piloto de avião Sérgio Antônio Lopes, de 60 anos, foi preso no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, acusado de chefiar uma organização criminosa voltada à exploração sexual de crianças e adolescentes. A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia do Ministério Público, tornando-o réu no processo. A detenção ocorreu no dia 9 de fevereiro, momentos antes de ele decolar em um avião da companhia aérea onde trabalhava.

Investigação revela rede criminosa

Além de Sérgio, outras cinco pessoas, em sua maioria parentes das vítimas, também foram denunciadas pelo Ministério Público de São Paulo e se tornaram rés. A defesa dos investigados não foi localizada até a última atualização desta reportagem. De acordo com as investigações do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil, o piloto cooptava crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, frequentemente abordando as famílias e oferecendo pagamentos via Pix em troca de relações sexuais ou vídeos íntimos de menores.

Vítimas e crimes

As vítimas eram utilizadas para a produção de vídeos e fotos de abuso sexual, que eram posteriormente vendidos e compartilhados por uma rede de pedofilia. O piloto também é acusado de marcar encontros presenciais com menores, inclusive em motéis, utilizando ameaças e coerção para garantir o silêncio das crianças. Os crimes imputados pelo MP incluem: organização criminosa, estupro de vulnerável, favorecimento da exploração sexual de menor, divulgação de cena de pornografia, produção, compartilhamento e posse de material pornográfico infantil, aliciamento de criança (via internet ou outros meios), venda de material pornográfico infantil, falsa identidade, coação no curso do processo, maus-tratos e favorecimento da prostituição.

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Segundo a diretora do DHPP, Ivalda Aleixo, ao menos dez vítimas no estado de São Paulo já foram identificadas, mas o número pode ser muito maior. Entre elas, três irmãs de 18, 12 e 10 anos que sofriam abusos há anos. O piloto pagava até R$ 100 por fotos das vítimas. “Cada imagem recebida gerava pagamentos via Pix, geralmente de R$ 30, R$ 50 ou R$ 100. Em alguns casos, ele comprava medicamentos, pagava aluguel e houve até a compra de uma televisão”, afirmou a delegada.

Funcionamento da rede

O celular apreendido com o suspeito contém imagens que indicam vítimas de outros estados. A polícia também investiga com quem o material era compartilhado. “Além do consumo pessoal, há fortes indícios de que ele distribuía esse conteúdo para outras pessoas”, declarou Ivalda. A investigação, iniciada em outubro, aponta que Sérgio mantinha a rede de exploração infantil há pelo menos oito anos. Segundo a polícia, ele inicialmente se aproximava da mãe, avó ou responsável legal pela criança ou adolescente, fingindo interesse amoroso. Depois, deixava claro que o alvo era o menor e fazia a proposta.

Além do piloto, a avó de três meninas foi presa temporariamente. Já a mãe de uma vítima, que começou a ser abusada aos 11 anos, foi detida em flagrante por armazenamento e compartilhamento de material de exploração sexual infantil. Ambas são suspeitas de aliciar as crianças.

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