A Polícia Civil realizou buscas pela idosa Milce Daniel Pessoa, de 72 anos, em uma região de mata no bairro Alto da Boa Vista, em Bayeux, na Grande João Pessoa, na tarde desta terça-feira (28). A idosa está desaparecida desde a manhã da quarta-feira (22), após acompanhar um amigo em uma consulta médica. As buscas contaram com apoio do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e cães farejadores, mas nada foi encontrado no local. Este é o sexto dia de desaparecimento.
Após as buscas, o delegado Douglas García informou que o amigo da idosa foi levado ao local onde ela teria desaparecido. Ele refez o trajeto que disse ter percorrido desde a saída do hospital até o momento do sumiço, por volta das 13h. O objetivo foi entender melhor o intervalo de tempo entre a saída da unidade de saúde e o desaparecimento. Até a última atualização, o idoso continuava sendo ouvido na delegacia de Bayeux, com novos questionamentos. Ele não é considerado suspeito e tem colaborado com as investigações, sendo ouvido recorrentemente por ser a última pessoa que viu a idosa.
O delegado afirmou que o caso segue sendo tratado como desaparecimento, mas não descarta outras linhas de investigação. "Por enquanto o caso está sendo tratado como desaparecimento. Certamente não vamos anular outras linhas de investigação; a polícia trabalha com o leque aberto, mas o caso por enquanto vai ser tratado como desaparecimento, mas em qualquer momento isso pode virar e ser tratado como homicídio ou outro delito", declarou.
Imagens de câmeras de segurança do Hospital Metropolitano foram colhidas e mostram que a idosa esteve no local até as 11h do dia do desaparecimento. Um segundo homem, que teria ajudado o amigo da idosa nas buscas iniciais, também será ouvido pela Polícia Civil na quarta-feira (29). O delegado ressaltou que ele é apenas uma pessoa sendo ouvida.
O desaparecimento
A idosa Milce Daniel Pessoa, de 72 anos, desapareceu após acompanhar um amigo e vizinho a uma consulta médica no Hospital Metropolitano, entre Santa Rita e Bayeux. O desaparecimento ocorreu na quarta-feira (22) pela manhã. A filha da idosa contou que o homem disse que ambos foram para uma região de mata para pegar manga, pois a idosa teria dito que estava com fome e queria comer a fruta. Ao se abaixar para pegar as mangas, o homem não visualizou mais a idosa. Um boletim de ocorrência foi registrado na Polícia Civil, que investiga o caso desde então. O Corpo de Bombeiros já havia realizado buscas na área na sexta-feira (24), sem sucesso.
O que diz o amigo da idosa
O amigo da idosa, Willis do Carmo, prestou depoimento oficial na segunda-feira (27) na delegacia de Bayeux. Em entrevista à TV Cabo Branco, ele disse que a mulher sumiu “num piscar de olhos” enquanto apanhavam mangas. "Num piscar de olhos, como se fosse um descuido com uma criança. Aí eu procurei ela, depois que juntei as 26 mangas, mais ou menos. Aí a mulher desapareceu", afirmou. Segundo ele, a aposentada havia acompanhado o amigo em um exame no hospital. Na volta, os dois desceram do carro para pegar mangas em uma área próxima ao bairro onde residem, em Bayeux. Após perceber o desaparecimento, Willis foi até a casa da idosa para informar a família, e a Polícia Civil foi acionada. Ele afirmou que parou para apanhar mangas para atender a um desejo dela, com quem mantém amizade há pelo menos 40 anos. "A justiça tem que saber que eu fui fazer o gosto dela, que ela é louca por manga, todo mundo sabe que ela é louca por manga", relatou.
Investigações da polícia
Desde o registro do boletim de ocorrência, a Polícia Civil iniciou as investigações. Na segunda-feira (27), além do depoimento do idoso, uma perícia foi realizada na casa dele e no carro. Durante a perícia, foram encontrados fios de cabelo e um pedaço de tecido aparentemente da mesma cor do vestido que a idosa usava quando desapareceu. O material foi recolhido para análise pelo Instituto de Polícia Científica da Paraíba (IPC-PB). Ainda não se sabe de quem é o material. "A perícia faz um levantamento de microvestígios, examina qualquer objeto dentro do veículo que pode estar relacionado ao fato investigado, procura manchas semelhantes a sangue, pelos, que podem ser examinados como relacionados ao pelo humano, ou outros vestígios do tipo", explicou Elaine Soares, perita do IPC. Sobre os fios de cabelo, ela disse que o material passará por análise laboratorial para ser relacionado ou não ao caso. O delegado Douglas García não informou detalhes sobre os motivos da perícia na casa e no carro do homem, nem se ele é considerado suspeito.



