A empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, suspeita de agredir e torturar uma empregada doméstica grávida de 19 anos, foi presa na manhã desta quinta-feira (7) em Teresina, no Piauí. O crime ocorreu em Paço do Lumiar, na Grande São Luís, no Maranhão.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI), Carolina estava hospedada na casa de um tio na capital piauiense. Ela vinha sendo monitorada pela Polícia Civil e foi localizada após parar em um posto de gasolina no bairro São Cristóvão, próximo à sede da SSP-PI.
Fuga frustrada
O delegado Matheus Zanatta afirmou que a intenção da suspeita era fugir para outro estado. "Logo depois do fato, ela veio para Teresina para pedir abrigo a esse tio. Provavelmente iriam para outro estado na data de hoje", disse.
A defesa de Carolina alegou que ela estava no Piauí porque tem um filho de 6 anos e não tinha familiares no Maranhão com quem deixar a criança. Por isso, teria levado o menino para ficar sob cuidados de pessoas de confiança em Teresina. A defesa ainda afirmou que Carolina não tem interesse em se omitir.
O delegado Yan Brayner, diretor de inteligência da Polícia Civil, explicou que a mulher estava abastecendo o carro com o objetivo de se evadir do Piauí. "Ela não estava na casa do tio, mas em conversas descobrimos que estava em um posto de combustíveis aqui ao lado da Secretaria de Segurança, abastecendo provavelmente com o objetivo de se evadir".
Segundo o diretor, o marido e o filho de seis anos também estavam no veículo. "Existia a possibilidade de ela ter planos para o litoral do Piauí ou para pegar um avião não comercial para Manaus, mas isso precisa ser investigado com precisão pela Polícia Civil do Maranhão", completou.
Prisão preventiva
A Justiça do Maranhão decretou a prisão preventiva da empresária nesta quinta-feira, após pedido da Polícia Civil. Na quarta-feira (6), equipes policiais foram à casa de Carolina para intimá-la a prestar depoimento, mas ela não foi encontrada. No local, havia apenas uma funcionária que, segundo a polícia, foi chamada às pressas para assumir o serviço.
Agressões e ameaças
A jovem doméstica descreveu as agressões sofridas. Segundo ela, levou puxões de cabelo, socos e murros, e foi derrubada no chão. Durante os ataques, tentou proteger a barriga, pois está grávida de cinco meses. A ex-patroa a acusou de ter roubado uma joia e passou horas procurando o objeto. O anel foi encontrado dentro de um cesto de roupas sujas. Mesmo após a joia ser localizada, as agressões continuaram.
A vítima afirmou ainda que foi ameaçada de morte por Carolina Sthela caso contasse à polícia o que havia acontecido. "Começou com puxões de cabelo. Eu fui derrubada no chão e passei boa parte do tempo ali. Foram tapas, socos e murros... foi sem parar. Eles não se importavam", disse a jovem.
No depoimento, a jovem relatou que um homem não identificado participou das agressões. Segundo ela, o suspeito foi até a casa para pressioná-la com violência. Ela o descreveu como "alto", "forte" e "moreno".
Defesa
Procurada pelo g1, a empresária Carolina Sthela afirmou, por meio de nota, que colabora com as investigações e que apresentará sua versão no momento oportuno. Ela também declarou que repudia qualquer forma de violência, especialmente contra mulheres e pessoas em situação de vulnerabilidade, e pediu que não haja "julgamento antecipado" enquanto o caso é apurado.
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) classificou o crime como tortura e pediu a prisão da patroa.



