Operação contra comércio ilegal de armas em Serra Talhada
A Polícia Civil de Pernambuco deflagrou, nesta quarta-feira (20), a segunda fase da Operação Forja II, que investiga um esquema de desvio de armas de fogo legais para o mercado clandestino em Serra Talhada, no Sertão do estado. Ao todo, 66 armas e quase 4 mil munições foram apreendidas durante as duas etapas da investigação, que também resultou na interdição de um clube de tiro apontado como peça central do esquema.
Durante as diligências, o Grupo de Operações Especiais (GOE) identificou uma organização criminosa formada por CACs, servidores públicos e empresários que utilizavam documentação regular para adquirir armamentos legalmente e revendê-los sem controle para o mercado ilegal. Segundo a corporação, a investigação teve início em março de 2025, após a apuração de um homicídio no Sertão pernambucano.
Esquema usava 'laranjas' para ocultar compradores
De acordo com o delegado Jorge Pinto, responsável pela investigação, o grupo usava pessoas recrutadas como “laranjas” para ocultar os verdadeiros compradores das armas. “Eles tinham um banco de dados onde era feito o recrutamento de laranjas e, a partir do lançamento de notas fiscais e recibos, as armas eram destinadas a terceiros diversos daqueles que constavam na documentação”, afirmou o delegado.
Ainda segundo o delegado, havia dois núcleos de atuação dentro da organização. Um deles era composto por agentes públicos e CACs que tinham facilidade para adquirir armas no mercado formal. O outro envolvia o clube de tiro investigado, que, segundo a Polícia Civil, funcionava como fachada para o abastecimento clandestino de armamentos e munições. “As investigações identificaram uma gama de compradores e revendedores que se valiam da facilitação pelo registro de CACs e também de clube de tiro para que essa compra fosse registrada em nome de terceiros”, disse o delegado.
Medidas judiciais e apreensões
Nesta fase da operação, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão e determinada a suspensão das atividades econômicas da loja de armas e do clube de tiro ligados aos investigados em Serra Talhada. Todo o material bélico do estabelecimento foi recolhido. A primeira fase da operação havia sido deflagrada em janeiro de 2026, quando foram cumpridos 11 mandados de busca domiciliar. Na ocasião, três pessoas foram presas em flagrante e agentes públicos investigados chegaram a ser afastados cautelarmente das funções.
Segundo a Polícia Civil, as provas coletadas ao longo da investigação indicam que armas e munições compradas legalmente junto a fabricantes e estabelecimentos autorizados acabavam sendo desviadas para integrantes de organizações criminosas da região. “A operação busca justamente estancar essa sangria, impedindo que armas e munições continuem chegando às mãos da criminalidade violenta em Serra Talhada”, afirmou o delegado.
Indiciados e denúncia
Ao todo, 15 investigados foram indiciados por crimes como organização criminosa, comércio ilegal de armas de fogo, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. O Ministério Público de Pernambuco já ofereceu denúncia à Justiça, segundo a Polícia Civil. A operação contou com apoio da Polícia Federal, Exército Brasileiro, Secretaria da Fazenda de Pernambuco e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Pernambuco. Segundo a investigação, o cruzamento de dados fiscais também identificou infrações administrativas no estabelecimento interditado, reforçando a suspeita de desvio de finalidade da empresa.



