Oito policiais militares da Brigada Militar de Torres, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, foram afastados de suas funções nesta quinta-feira (30) sob suspeita de tortura física e psicológica, fraude processual e falsidade ideológica. O caso, ocorrido em maio de 2025, veio à tona após a conclusão do Inquérito Policial Militar pela Corregedoria-Geral da corporação, que reuniu vídeos que indicam agressões durante uma abordagem.
Detalhes das acusações
De acordo com a investigação, durante uma abordagem da Força Tática do pelotão de Torres a um homem suspeito de tráfico de drogas, os policiais teriam agredido a vítima com chutes e socos. As imagens, supostamente registradas no celular de um dos próprios agentes, mostram a violência. Além disso, os PMs teriam plantado tijolos de maconha dentro do carro do homem para justificar a prisão por tráfico. A investigação aponta ainda que os policiais causaram danos ao veículo para simular que os ferimentos da vítima teriam sido provocados por um acidente de trânsito.
Suspensão do processo
A Justiça do Rio Grande do Sul suspendeu o processo contra o homem que aparece nas imagens sendo agredido. O pedido de suspensão levou em conta o conteúdo do vídeo. A advogada do homem, Jacqueline Prusch, também solicitou a anulação integral do processo. Ela afirmou: “O Estado não tem autorização para violar direitos, torturar, manipular provas ou agir fora da lei. O papel dos agentes públicos é justamente o contrário: proteger, agir com correção e garantir que o processo seja justo.” Ela reforçou que a conclusão do inquérito confirma práticas que jamais deveriam ter ocorrido.
Indiciamento do comandante
Além dos oito soldados afastados, o comandante do pelotão de Torres, capitão Guilherme Hermeto, também foi indiciado no inquérito policial militar. A defesa do oficial alega que ele estava de folga no dia do ocorrido e apenas parabenizou os agentes pela prisão, antes de saber das supostas irregularidades.
Relembre o caso
O homem chegou a ficar três meses preso. Ele foi denunciado pelo Ministério Público por tráfico de drogas, com base no relato dos policiais. O g1 procurou o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) e aguarda retorno. As imagens das agressões, obtidas com exclusividade pelo g1, mostram a violência sofrida pela vítima. O caso gerou grande repercussão e levanta questionamentos sobre a conduta dos agentes de segurança pública.



