Nova secretária de Polícia Penal do RJ assume em meio a desafios
Nova secretária de Polícia Penal do RJ assume

Mudança no comando da Secretaria de Polícia Penal do Rio

O governador interino do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, realizou uma nova troca no primeiro escalão do governo. Nesta segunda-feira (25), foi publicada no Diário Oficial a exoneração de Maria Rosa Lo Duca Nebel do cargo de secretária de Polícia Penal (Seppen), antiga Secretaria de Administração Penitenciária (Seap). Em seu lugar, assumiu a inspetora Alessandra Rosa Odawara, policial penal de carreira com aproximadamente 17 anos de experiência no sistema penitenciário fluminense.

Desafios da nova gestão

Alessandra Odawara assume a pasta em um momento crítico, marcado por problemas estruturais como a superlotação das unidades prisionais, o déficit de vagas e a necessidade de reorganização administrativa. A nova secretária terá a missão de enfrentar esses desafios e buscar soluções para o sistema penitenciário do estado.

Gestão anterior marcada por controvérsias

Maria Rosa Nebel, que estava à frente da secretaria desde abril de 2022, deixou o cargo após uma gestão que registrou episódios de grande repercussão. Em janeiro de 2023, três presos considerados de alta periculosidade fugiram do Complexo de Bangu após serrar grades e usar uma corda improvisada, em um momento em que as câmeras de segurança estavam desligadas. O caso gerou forte crítica à administração penitenciária.

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Outro episódio polêmico ocorreu ainda em 2023, quando um projeto do governo estadual previa o envio de equipamentos como TVs 4K, óculos de realidade virtual e computadores para unidades do Complexo de Bangu, como parte do programa “Cultura Maker” da Secretaria de Educação. A iniciativa, que visava modernizar salas de aula inclusive nas 19 escolas dentro do sistema prisional, foi alvo de críticas internas na Seap. Áreas técnicas alertaram para riscos de segurança, pois alguns dispositivos poderiam permitir acesso à internet e comunicação externa. Parte dos equipamentos, como câmeras e videogames, foi retirada da lista após questionamentos.

Durante a gestão de Maria Rosa, o Rio de Janeiro também passou a liderar o ranking nacional de detentos em presídios federais. Em novembro de 2025, o estado alcançou 66 presos de alta periculosidade nessas unidades, após sucessivas transferências autorizadas pela Justiça.

Na área financeira, a administração enfrentou questionamentos. Em março deste ano, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) suspendeu uma licitação de aproximadamente R$ 1,3 bilhão para a alimentação de presos, apontando falhas como falta de transparência e restrições à concorrência.

Expectativas para a nova secretária

Alessandra Odawara, como policial penal de carreira, conhece de perto a realidade do sistema penitenciário. Sua nomeação ocorre em meio a uma série de alterações promovidas pelo governador interino Ricardo Couto no primeiro escalão desde que assumiu o governo, em março. A expectativa é que a nova secretária possa implementar medidas para reduzir a superlotação, melhorar a segurança e modernizar a gestão da pasta.

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