Mãe de Eliza Samudio critica prisão de Bruno: 'Não precisava passar por isso'
Mãe de Eliza Samudio critica prisão de Bruno Fernandes

Em sua primeira manifestação pública após a nova prisão do ex-goleiro Bruno Fernandes, a mãe de Eliza Samudio, Sônia Moura, expressou indignação e lamentou que a situação pudesse ter sido evitada. Em entrevista ao g1 nesta sexta-feira (8), ela afirmou que o descumprimento das determinações judiciais por parte do ex-jogador foi o motivo de sua nova detenção.

Declarações de Sônia Moura

“Eu lamento porque ele não precisava estar passando por isso. Se tivesse cumprido todas as medidas, não precisaria viver esse momento. Eu deixo um recado às outras pessoas: não desistam da Justiça. Pode demorar, mas a Justiça existe”, declarou Sônia. Ela também agradeceu aos policiais envolvidos na operação que resultou na prisão de Bruno, ocorrida na noite de quinta-feira (7), em São Pedro da Aldeia, no Rio de Janeiro, após cerca de dois meses foragido.

“Agora é que a Justiça faça a sua parte. Eu continuo acreditando no Judiciário”, afirmou. A prisão ocorreu porque Bruno descumpriu regras da liberdade condicional, conforme a Vara de Execuções Penais.

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Corpo de Eliza ainda não foi encontrado

Mesmo após quase 16 anos do desaparecimento e assassinato de Eliza Samudio, Sônia revelou que ainda sonha em encontrar o corpo da filha para poder enterrá-lo, mas não acredita que a nova prisão de Bruno possa trazer revelações sobre o paradeiro. “A nova prisão não vai trazer o corpo da minha filha. O melhor seria se eu tivesse o corpo da minha filha”, comentou. Ela desabafou sobre a dor de conviver sem respostas e afirmou acreditar que a filha foi “descartada igual lixo”.

Apelo às famílias

Sônia deixou uma mensagem para outras famílias que buscam justiça por parentes vítimas de violência: “Que as pessoas não desistam. Que continuem cobrando, buscando provas e ajudando a Justiça a construir processos fortes”. Ela também chamou atenção para o aumento dos casos de feminicídio, violência doméstica e abuso sexual contra crianças no Brasil, destacando que o país registrou um feminicídio a cada 5 horas e 25 minutos no primeiro trimestre deste ano. “Os números estão estrondosos. As pessoas não podem desacreditar da Justiça”, disse.

Histórico do caso

Bruno Fernandes foi preso em 2010 pelo assassinato da ex-namorada Eliza Samudio, crime que teve repercussão internacional. Condenado em 2013 a mais de 22 anos de prisão por homicídio, ocultação de cadáver, sequestro e cárcere privado, ele ficou em regime fechado até 2019, quando progrediu para o semiaberto. Em 2023, obteve liberdade condicional. No entanto, em 5 de março, um mandado de prisão foi expedido após a Justiça constatar que ele descumpriu regras, como viajar para o Acre sem autorização em fevereiro para jogar pelo Vasco-AC e não retornar ao regime semiaberto quando determinado.

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) apontou ainda que Bruno deixou de atualizar o endereço por três anos, desrespeitou horários de recolhimento, frequentou locais proibidos (como um jogo no Maracanã em fevereiro) e fez outras viagens não autorizadas, inclusive a um estádio em Minas Gerais.

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