Médica se licencia após idoso ser dado como morto e encontrado vivo em funerária
Médica se licencia após idoso ser dado como morto

A médica responsável pela declaração de óbito do idoso de 88 anos, encontrado com sinais vitais em uma funerária de Presidente Prudente (SP), solicitou licença da Santa Casa de Presidente Bernardes (SP). O anúncio foi divulgado pela instituição na tarde desta quinta-feira (21).

Veja abaixo a íntegra da nota do hospital:

“A instituição esclarece que eventuais medidas disciplinares só poderão ser adotadas conforme a legislação e após a conclusão das apurações. A profissional envolvida, por precaução, solicitou licença por um tempo, pedido que foi deferido pela entidade. Sobre o caso, só voltará a se manifestar após a conclusão da sindicância e/ou do processo administrativo.”

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Estado de saúde do idoso

A Santa Casa de Presidente Prudente informou na manhã desta quinta-feira que o paciente segue internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), intubado e com ventilação mecânica. “O estado é considerado grave”, diz.

O caso

Juraci Rosa Alves, de 88 anos, foi dado como morto ao dar entrada na Santa Casa de Presidente Bernardes (SP) no sábado (16). Ele foi encaminhado à funerária para passar pelo preparo para o velório, quando agentes funerários perceberam que o homem apresentava sinais vitais e o encaminharam para a Santa Casa de Presidente Prudente (SP), onde ficou internado.

O advogado da família, Carlos Alberto Carneiro, contou ao g1 que, no sábado à tarde, Juraci varreu as folhas em frente à sua casa, em Emilianópolis, e tomou um banho. Em seguida, familiares que o acompanhavam perceberam uma certa dificuldade para respirar e palidez. Diante do quadro, por zelo, preferiram chamar uma ambulância e levá-lo para atendimento na Santa Casa de Presidente Bernardes.

Segundo o boletim de ocorrência, ao chegar ao hospital, o idoso passou por atendimento. Ele foi declarado morto pela médica de plantão. A causa foi especificada como “insuficiência respiratória”. O nome da profissional não foi divulgado pela polícia.

Diante da situação, uma funerária foi acionada e a vítima foi levada para Presidente Prudente para os procedimentos de preparação do corpo. A enfermeira responsável técnica do funeral explicou que os agentes funerários realizaram a remoção do idoso do hospital como um procedimento de rotina. No entanto, ao colocarem o homem na mesa do laboratório da funerária, os funcionários notaram um movimento incomum na região abdominal e suspeitaram de que ele estivesse respirando. Diante disso, a equipe suspendeu o processo e acionou imediatamente a enfermeira responsável técnica da empresa.

Uma neta de Juraci relatou que a família soube que o idoso estava vivo quando uma tia e uma prima foram levar a roupa que seria usada para vestir o corpo do avô para o velório. Foi neste momento que a polícia entrou em contato pelo celular, informando que ele estava com vida na Santa Casa de Presidente Prudente.

A família de Juraci chegou a pensar que a notícia de que ele estava vivo era um trote. Além do susto, há preocupação de que o estado de saúde do idoso possa ter sido agravado pelo tempo em que ficou sem atendimento adequado.

Investigação

A Polícia Civil instaurou, na segunda-feira (18), um inquérito para apurar a suposta omissão de socorro na Santa Casa de Presidente Bernardes após o idoso ter sido dado como morto por engano. Segundo a corporação, é investigada a eventual responsabilidade de profissionais envolvidos, especialmente quanto à possível ausência de providências diante de um risco concreto à vida.

Diferentes ações foram determinadas pela polícia, como a requisição de prontuários médicos, a identificação e oitiva de profissionais de saúde, a análise técnica por meio de perícia médica e a coleta de depoimentos de testemunhas e equipes de atendimento. A investigação busca esclarecer as circunstâncias do caso, incluindo a regularidade do procedimento de constatação de óbito e a conduta adotada após a comunicação de possíveis sinais vitais.

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