A Justiça de Alagoas autorizou a quebra do sigilo telefônico e a realização de exames toxicológicos no policial civil suspeito de matar dois colegas de trabalho dentro de uma viatura, em Delmiro Gouveia, no Sertão de Alagoas. As medidas foram solicitadas pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL) durante a audiência de custódia realizada na quarta-feira (20). O g1 tenta contato com a defesa do policial suspeito do crime.
O suspeito do crime é o policial civil Gildate Goes, de 61 anos. As vítimas foram identificadas como Yago Gomes Pereira, de 33, e Denivaldo Jardel Lira Moraes, de 47. Os dois foram mortos a tiros dentro da viatura policial.
Segundo o MPAL, a Justiça também autorizou o levantamento de imagens de câmeras de segurança da região e a oitiva de testemunhas. Serão realizadas diligências na cidade de Piranhas, após informações de que o suspeito e as vítimas teriam ingerido bebida alcoólica juntos antes do crime.
O promotor de Justiça Dênis Guimarães, da 1ª Promotoria de Delmiro Gouveia, esteve na Delegacia Regional para acompanhar as primeiras investigações. Ainda durante a audiência de custódia, a prisão em flagrante do suspeito foi convertida em prisão preventiva, ou seja, ele permanecerá preso enquanto o caso é investigado.
Investigação da motivação
A motivação do crime ainda é investigada pela Polícia Civil. Segundo o delegado-geral adjunto, Eduardo Mero, os policiais não tinham histórico de conflitos. Em coletiva anterior, ele afirmou que os três eram considerados "amigos e irmãos".
O delegado informou que os três policiais jantaram juntos e ingeriram bebida alcoólica em Piranhas horas antes do crime. O suspeito relatou à polícia que não se lembra do que aconteceu após deixarem a cidade. Ele afirmou apenas que recorda ter passado a direção da viatura para Yago e ido para o banco traseiro descansar. Depois disso, disse que só voltou a ter consciência quando já estava fora do veículo, caminhando por Delmiro Gouveia.
A polícia informou que o suspeito foi encontrado na casa da companheira e preso em flagrante poucas horas após o crime. Ele foi transferido para Maceió, onde deve passar por exames psicológicos. Uma comissão de delegados foi designada para investigar o caso.
“Todas as providências estão sendo realizadas para que se descubra a motivação desse crime, que até agora não está esclarecida”, disse o delegado Antonio Carlos Lessa.
Detalhes do crime
De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas (CBM-AL), o crime aconteceu na Rua Floriano Peixoto, no centro da cidade. Além dos militares, equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) também foram ao local, mas Yago Gomes e Denivaldo Jardel já estavam mortos. Gildate Goes foi preso em casa e, segundo a polícia, apresentava falas desconexas.
Familiares das vítimas sofrem com a perda e pedem justiça. O pai de Yago Gomes contestou a versão de surto e afirmou que o filho foi "executado de forma perversa". As investigações continuam para esclarecer todas as circunstâncias do duplo homicídio.



