Justiça anula inquérito que investigou jornalista por denúncia contra deputada em PE
Justiça anula inquérito contra jornalista por denúncia em PE

Justiça anula inquérito contra jornalista por denúncia anônima contra deputada em Pernambuco

A Justiça de Pernambuco anulou o inquérito da Polícia Legislativa que investigava o jornalista Manoel Pires Medeiros Neto pelo crime de denunciação caluniosa. A decisão, assinada pelo juiz Hugo Vinicius Castro Jiménez, da 13ª Vara Criminal da Capital, foi proferida na terça-feira (19) e também concedeu habeas corpus ao jornalista.

Entenda o caso

Manoel Medeiros, que na época era assessor especial da governadora Raquel Lyra (PSD), foi acusado de fazer uma denúncia anônima contra a deputada estadual Dani Portela (PT) em abril de 2025. A denúncia, protocolada em uma lan house em um shopping da Zona Sul do Recife, alegava que a parlamentar teria contratado uma empresa fantasma de um parente para prestar serviços de automatização de dados ao seu gabinete na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).

Após a revelação da autoria da denúncia, o presidente da Alepe, Álvaro Porto (MDB), acusou Medeiros de montar uma milícia digital para espalhar mentiras sobre adversários do governo. O jornalista pediu exoneração do cargo logo após o episódio.

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Investigação e decisão judicial

A deputada Dani Portela negou as acusações e acionou a Superintendência de Inteligência Legislativa (Suint) para investigar ataques que sofria nas redes sociais. Foi nesse contexto que a Polícia Legislativa iniciou o inquérito contra Medeiros.

O juiz Hugo Vinicius Castro Jiménez seguiu o entendimento do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), que defendeu o trancamento do inquérito. Segundo a decisão, a Polícia Legislativa deve atuar apenas na proteção da segurança institucional e na apuração de crimes ocorridos nas dependências da Alepe, não tendo competência para investigar fatos que envolvam parlamentares como vítimas de forma diferenciada dos demais cidadãos.

O magistrado também destacou que a investigação não pode criar entraves à liberdade de imprensa. O bojo do aqui perquirido cinge-se a uma forma que respeite as balizas legais e não crie também sobre a liberdade de imprensa qualquer entrave, escreveu na decisão.

Repercussão

Com a anulação do inquérito, o jornalista Manoel Medeiros não responde mais pela acusação de denunciação caluniosa. O caso gerou debates sobre os limites da atuação da Polícia Legislativa e a proteção à liberdade de imprensa em Pernambuco.

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