O empresário Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão do senador Ciro Nogueira (Progressistas-PI), é um dos alvos da quinta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (7). A investigação apura suspeitas de fraudes financeiras ligadas ao Banco Master.
Medidas cautelares impostas pelo STF
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que Raimundo Nogueira utilize tornozeleira eletrônica. Além disso, ele está proibido de manter contato com outros investigados ou testemunhas, deverá entregar o passaporte à Polícia Federal em até 48 horas e não pode sair da cidade onde reside sem autorização judicial.
Envolvimento empresarial
Raimundo, casado e pai de dois filhos, possui participação em pelo menos 17 empresas, conforme consulta à Receita Federal. Ele é administrador da CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda., que, segundo a Polícia Federal (PF), seria utilizada como um “mecanismo dissimulado” para repassar vantagens financeiras a Ciro Nogueira.
Transação suspeita
A decisão do STF cita um negócio considerado suspeito: a compra de 30% da Green Investimentos S. A. pela CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda. A operação foi fechada por R$ 1 milhão, embora as ações valessem cerca de R$ 13 milhões no mercado. Para o ministro André Mendonça, a diferença de valores indica que a transação pode ter sido usada para ocultar repasses ilegais.
Suspensão de atividades empresariais
O ministro também ordenou a suspensão imediata das atividades de quatro empresas ligadas ao caso: CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda.; BRGD S.A.; Green Investimentos S.A.; e Green Energia Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia. Segundo o relatório, essas empresas eram utilizadas para movimentar e dar aparência legal a recursos de origem criminosa. No caso da CNLF, a polícia afirma que a empresa não possui funcionários registrados e funciona no mesmo endereço de outra firma da família Nogueira.
Contexto da investigação
A investigação aponta que o senador Ciro Nogueira teria recebido vantagens financeiras em troca de favorecer interesses do banqueiro Daniel Vorcaro. Um dos exemplos citados é a apresentação de uma emenda parlamentar que beneficiaria diretamente o Banco Master. Segundo a investigação, os repasses mensais ao senador poderiam chegar a R$ 500 mil. Ele também teria utilizado imóveis de luxo, cartões de crédito e viagens internacionais pagos pelo grupo investigado. Para o ministro Mendonça, as medidas são necessárias para interromper a lavagem de dinheiro e evitar a destruição de provas.
Operação Compliance Zero
Ciro Nogueira é um dos alvos da nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira. O irmão dele, Raimundo Nogueira, também é alvo de buscas. A PF cumpriu mandado de busca e apreensão em um endereço do senador em Brasília (DF). Ao todo, um mandado de prisão temporária e 10 mandados de busca e apreensão foram expedidos pelo STF e devem ser cumpridos pela PF no Piauí, São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal.
Na decisão do STF, obtida pela jornalista Ana Flor, a PF “aponta a identificação da suposta conduta do senador em favor do banqueiro, em troca do recebimento de vantagens econômicas indevidas”. Segundo apuração do blog, o caso relativo ao senador Ciro Nogueira era um dos com maior quantidade de indícios para serem investigados.
De acordo com informações do blog da Camila Bomfim, no g1, o alvo de prisão temporária é o primo de Daniel Vorcaro, Felipe Cançado Vorcaro, que foi preso nesta manhã em Minas Gerais. A decisão judicial autorizou ainda o bloqueio de bens, direitos e valores no montante de R$ 18,85 milhões.



