Cinco indígenas foram presos pela Polícia Militar na madrugada deste domingo (26) em Amambai, Mato Grosso do Sul. O grupo ocupou a Fazenda Limoeiro, que está sobreposta à Terra Indígena Iguatemipeguá II, na noite de sábado (25), e expulsou a família de produtores rurais que morava no local.
Operação policial e prisões
A Polícia Militar foi acionada após denúncias de invasão e danos ao patrimônio na fazenda, localizada próxima à Aldeia Limão Verde. Além do Batalhão de Choque, o Departamento de Operações de Fronteira (DOF) participou da ação. Não há confirmação oficial de feridos, mas lideranças indigenistas relatam episódios de violência durante a desocupação.
De acordo com a PM, o grupo entrou na propriedade por volta das 23h20 de sábado e a família foi expulsa durante a madrugada. Houve danos à casa e tentativa de destruir veículos e máquinas. A polícia encontrou objetos separados para possível retirada, como eletrônicos e joias.
Cinco indígenas foram detidos e permanecem na delegacia de Amambai. Segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), os presos são: Josilaine Gonçalves, Valdenir Gonçalves, Aracilda Nunes, Daiane Orti e Grezi Vilhalva.
Contexto fundiário e versões divergentes
O episódio reflete uma tensão fundiária histórica, marcada por divergências sobre a ocupação do solo e o status jurídico das áreas. A Terra Indígena Iguatemipeguá II está em fase de estudos para demarcação, processo que tramita desde 2008 e envolve levantamentos da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).
A Polícia Militar trata a ação como invasão de propriedade. Já o Cimi afirma que se trata de retomada de território ancestral. Segundo a organização, indígenas foram atacados por homens armados antes da chegada da polícia e, durante a saída, foram "empurrados" de volta à aldeia Limão Verde, com uso de tiros e bombas.
Clima de tensão e medidas de segurança
O Cimi relata clima de tensão na região, com presença de homens armados e equipes policiais nos acessos à reserva. A Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) foi acionada. A PM informou que o policiamento permanece no local para evitar novos conflitos e garantir a preservação da área para trabalhos periciais.
O g1 questionou o Ministério dos Povos Indígenas e os proprietários da Fazenda Limoeiro, mas não obteve retorno até a última atualização. A ocorrência será encaminhada à Delegacia de Polícia Civil para identificação dos responsáveis e apuração criminal.



