A Justiça de Goiás condenou o Hospital da Mulher de Inhumas ao pagamento de R$ 1 milhão como indenização por danos morais aos pais dos dois bebês que foram trocados na unidade ao nascerem, em 2021. A decisão, proferida em primeira instância, ainda está sujeita a recurso. O valor será dividido igualmente entre as duas famílias, cabendo R$ 250 mil para cada mãe e cada pai.
Repercussão do caso
Em entrevista ao g1, um dos pais das crianças, que preferiu não se identificar devido ao segredo de justiça do processo, afirmou que as famílias estão satisfeitas com a decisão judicial, mas ressaltou que nenhum valor financeiro seria capaz de reparar o erro cometido pelo hospital e o impacto causado em suas vidas. “Dinheiro nenhum vai cobrir o que a gente está passando, até mesmo na adaptação das crianças. Que é o que a gente está sofrendo. Só a gente sabe o que está passando”, declarou.
Como ocorreu a troca
O caso veio à tona em novembro de 2024, um mês após o erro ser descoberto por um dos pais, que desconfiou da paternidade. Exames de DNA confirmaram que os meninos não eram filhos biológicos dos casais com quem viviam havia cerca de três anos. Os bebês nasceram no dia 15 de outubro de 2021, com intervalos de apenas 14 minutos: um às 7h35 e outro às 7h49.
O primeiro exame de DNA foi realizado em 31 de outubro de 2024, e o laboratório solicitou uma contraprova. Posteriormente, o outro casal também fez testes, que confirmaram a troca.
Investigação policial
A Polícia Civil de Goiás investigou o caso e concluiu que a identificação dos recém-nascidos foi feita de forma correta pelo hospital. O erro ocorreu quando uma técnica de enfermagem entregou os bebês aos pais de maneira equivocada. No relatório policial, concluído em 18 de março de 2025, o delegado Miguel da Mota Leite Filho pediu o arquivamento do caso, por entender que o procedimento não configurou crime.
Guarda compartilhada e adaptação
Segundo um dos pais, as crianças foram devolvidas às famílias biológicas em março de 2025, mas as guardas são compartilhadas entre os casais. O processo de adaptação tem sido doloroso, especialmente para as crianças, que ainda não assimilaram completamente a mudança. “Eles não aceitaram ainda o pai biológico deles, entendeu? Na cabecinha deles, os pais que os criaram são os pais deles. Não houve, ainda, adaptação nas novas casas. Foram trocados sim, mas ainda não houve ‘aquela’ adaptação”, relatou.
Embora o hospital ainda possa recorrer da decisão, os dois casais mantêm a confiança na Justiça. “Depois de tudo o que aconteceu com a gente, a gente espera que seja positivo”, concluiu o pai.



