Hospital condenado a pagar R$ 1 milhão por troca de bebês em maternidade
Hospital condenado a pagar R$ 1 milhão por troca de bebês

O Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) condenou o Hospital da Mulher de Inhumas, na Região Metropolitana de Goiânia, a pagar uma indenização de R$ 1 milhão às duas famílias envolvidas na troca de bebês ocorrida em 2021. A decisão foi recebida com sentimentos mistos pelos pais, que ainda sofrem as consequências do erro.

Em entrevista ao g1, o pai de uma das crianças, que preferiu não se identificar devido ao segredo de justiça, afirmou que nenhum valor financeiro seria suficiente para reparar o dano causado. "Dinheiro nenhum vai cobrir o que a gente está passando, até mesmo na adaptação das crianças. Só a gente sabe o que está passando", desabafou.

Convivência e adaptação

Os meninos, hoje com 4 anos, convivem com as duas famílias por meio de guardas compartilhadas. No entanto, o pai revelou que a adaptação tem sido difícil. "Eles não aceitaram ainda o pai biológico deles. Na cabecinha deles, os pais que os criaram são os pais deles", explicou.

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Histórico do caso

Os dois meninos nasceram no dia 15 de outubro de 2021, com diferença de 14 minutos. A troca só foi descoberta três anos depois, quando um dos pais desconfiou da paternidade e realizou um teste de DNA. O exame confirmou que o menino que crescia com ele não era seu filho biológico. O outro casal também fez exames, que confirmaram a mesma situação.

Em 2025, a Polícia Civil concluiu que a identificação dos bebês foi feita corretamente pelo hospital, mas o erro ocorreu quando uma técnica de enfermagem entregou os recém-nascidos às famílias erradas. O delegado Miguel da Mota Leite Filho pediu o arquivamento do caso, entendendo que não houve crime.

Decisão judicial

A juíza Diéssica Taís Silva, responsável pela sentença, destacou a "extrema gravidade" do caso. Ela afirmou que houve "inequívoco defeito na prestação de serviço" por parte do hospital e que, embora a troca tenha sido cometida por uma técnica de enfermagem, o hospital responde solidariamente, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Na decisão, a magistrada ressaltou que o caso evidenciou "gravíssima violação a direitos da personalidade e a direitos fundamentais" das crianças e das famílias, atingindo diretamente a dignidade da pessoa humana e o direito à convivência familiar. "A troca dos recém-nascidos alterou profundamente a trajetória de vida das duas famílias envolvidas, produzindo consequências emocionais de extrema gravidade", escreveu.

A juíza também observou que a descoberta da troca apenas três anos após o nascimento consolidou vínculos afetivos, familiares e sociais das crianças com os pais com quem conviviam. Embora a indenização não possa reparar integralmente o sofrimento, ela é necessária para amenizar os prejuízos e cumprir função sancionatória.

Nota do hospital

O Hospital da Mulher de Inhumas, em nota, informou que seu departamento jurídico está analisando tecnicamente a decisão e que recorrerá se for o caso. A instituição afirmou que a troca foi um caso isolado em mais de 60 anos de existência e que as medidas de segurança foram revisadas após o ocorrido.

Os pais, por sua vez, esperam que a Justiça seja favorável. "Depois de tudo o que aconteceu com a gente, a gente espera que seja positivo", concluiu o pai.

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