Uma ex-servidora da Prefeitura de Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, foi presa em flagrante nesta quarta-feira (29) sob suspeita de integrar um esquema de corrupção digital que apagava multas de trânsito e vendia ilegalmente medicamentos para emagrecimento. De acordo com a Polícia Civil, o prejuízo aos cofres públicos ultrapassa R$ 1,3 milhão.
Esquema de fraude com multas
As investigações revelaram que a mulher, de 44 anos, trabalhava na Secretaria Municipal de Trânsito e utilizava seus acessos ao sistema oficial do órgão para excluir infrações de forma fraudulenta. Foram identificadas 4.445 exclusões irregulares. O filho da investigada anunciava o serviço em plataformas digitais, cobrando menos de 50% do valor original das multas. O delegado Fábio Lucas Gabrich Cruz e Silva, responsável pelo caso, destacou que a ação comprometeu o caráter educativo e repressivo da fiscalização urbana.
Venda ilegal de medicamentos
Durante o cumprimento de mandados, os policiais descobriram um núcleo criminoso na área da saúde. A ex-servidora foi flagrada com medicamentos emagrecedores importados, sem registro nos órgãos de vigilância sanitária. Ela confessou que adquiria as substâncias de fornecedores externos e as fracionava em seringas para venda clandestina, utilizando técnicas rudimentares aprendidas em vídeos de redes sociais, sem qualquer formação na área da saúde. A conduta representava risco à saúde pública, motivando a prisão em flagrante.
Apreensões e investigações
A operação resultou na apreensão de R$ 11.474 em dinheiro, uma caminhonete e uma motocicleta de alta cilindrada, avaliadas em mais de R$ 160 mil. Também foram recolhidos celulares, relógios, joias e grande quantidade de insumos médico-hospitalares, como seringas e agulhas. Todo o material passará por perícia. O inquérito, aberto em outubro do ano passado, já reúne mais de 1,2 mil páginas de provas. As investigações agora buscam identificar outros beneficiários do esquema e possíveis crimes de lavagem de dinheiro.



