Esposa de MC Ryan SP chora após Justiça Federal manter prisão do funkeiro
Esposa de MC Ryan chora após prisão mantida

A esposa do cantor MC Ryan SP, Giovana Roque, foi fotografada na tarde desta quinta-feira (23) em frente ao Centro de Detenção Provisória Belém, na Zona Leste de São Paulo, onde realizou uma oração e deixou o local visivelmente abalada. A comoção ocorreu após a confirmação de que o marido permanecerá detido, uma vez que a Justiça Federal acatou o pedido de prisão preventiva feito pela Polícia Federal.

Contexto da decisão judicial

O pedido de prisão preventiva foi apresentado pela PF depois que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu habeas corpus ao funkeiro. Com o avanço das investigações e a análise das provas apreendidas, a PF concluiu que existem elementos suficientes para converter as prisões temporárias em preventivas. Diferentemente da prisão temporária, que tem prazo definido (geralmente de 5 a 30 dias), a preventiva não possui prazo fixo e é determinada quando há risco de fuga, interferência nas investigações ou continuidade de atividades criminosas.

Detalhes da operação

Os alvos foram presos temporariamente no dia 15 de janeiro, durante uma operação da Polícia Federal. Segundo as investigações, o grupo é suspeito de movimentar mais de R$ 1,6 bilhão por meio de bets ilegais, rifas clandestinas, tráfico internacional de drogas, uso de empresas de fachada, laranjas, criptomoedas e remessas ao exterior. No habeas corpus, o ministro Messod Azulay Neto, relator do caso no STJ, considerou ilegal o decreto de prisão temporária por 30 dias, uma vez que a própria PF havia solicitado prazo de apenas cinco dias, já encerrado. No entanto, a PF argumentou que a prisão preventiva é necessária para garantir a ordem pública, dada a gravidade do caso e o volume de recursos envolvidos.

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Lista de investigados com prisão convertida

Com a decisão judicial, 36 investigados tiveram suas prisões temporárias convertidas em preventivas e 3 em prisões domiciliares. Entre os principais nomes estão:

  • Rodrigo de Paula Morgado: contador e operador-chave.
  • Ryan Santana dos Santos (MC Ryan SP): apontado como líder e beneficiário final.
  • Tiago de Oliveira: braço-direito e gestor financeiro de Ryan.
  • Alexandre Paula de Sousa Santos (Belga ou Xandex): operador financeiro.
  • Lucas Felipe Silva Martins: operador logístico.
  • Sydney Wendemacher Junior: testa de ferro.
  • Arlindma Gomes dos Santos (Nene Gomes): operadora.
  • Raphael Sousa Oliveira: criador da página Choquei e operador de mídia.
  • Marlon Brendon Coelho Couto da Silva (MC Poze do Rodo): envolvido no esquema financeiro.
  • Entre outros.

Os três investigados em prisão domiciliar são Fernando de Sousa, Débora Vitória Paixão Ramos e Estefany Pereira da Silva.

Reação da defesa

A defesa de MC Ryan SP, representada pelo advogado Felipe Cassimiro, manifestou perplexidade com o pedido da PF. Em nota, afirmou que “causa perplexidade o caráter manifestamente extemporâneo do pedido” e que “se presentes estivessem, desde antes, os requisitos da preventiva, por que não foi ela requerida no momento oportuno?”. A defesa espera que a medida seja indeferida e que a decisão do STJ seja cumprida. Já o advogado de MC Poze do Rodo, Fernando Henrique Cardoso Neves, criticou a condução do caso e afirmou que o novo pedido não apresenta fatos novos.

Detalhes da Operação Narco Fluxo

A Operação Narco Fluxo é resultado de uma investigação que começou com a análise de arquivos armazenados no iCloud do contador Rodrigo de Paula Morgado, obtidos durante operações anteriores (Narco Bet e Narco Vela). O material permitiu à PF cruzar extratos, comprovantes, conversas e documentos financeiros, revelando uma organização criminosa voltada à lavagem de capitais. Segundo a decisão judicial, o grupo usava técnicas como fracionamento de depósitos, contas de passagem, empresas de fachada, laranjas, holdings, triangulação de receitas, criptoativos e evasão de divisas.

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Papel dos envolvidos

MC Ryan SP é apontado como líder e principal beneficiário econômico, utilizando empresas de produção musical e entretenimento para misturar receitas legítimas com recursos ilícitos. MC Poze do Rodo aparece vinculado a empresas e estruturas financeiras relacionadas a rifas digitais e apostas ilegais. Influenciadores como Raphael Sousa Oliveira (Choquei) e Chrys Dias eram usados para divulgar apostas, rifas e melhorar a imagem pública do grupo.

Apreensões e bloqueios

Durante a operação, a PF apreendeu carros de luxo, relógios, joias, armas, dinheiro em espécie e equipamentos eletrônicos. Um dos itens que chamou atenção foi um colar com a imagem de Pablo Escobar encontrado na casa de MC Ryan SP. A Justiça determinou o bloqueio de bens e valores até R$ 1,63 bilhão, além de criptomoedas em corretoras como Foxbit, Mercado Bitcoin, Binance e Coinbase.

Posicionamento das defesas

A defesa de MC Ryan SP afirmou que todas as transações financeiras do cantor são lícitas e possuem origem comprovada. Já a defesa de MC Poze do Rodo disse desconhecer o teor do mandado de prisão e que se manifestará na Justiça assim que tiver acesso ao processo.