A defesa de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, protocolou nesta quarta-feira (6) a proposta de delação premiada junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) e à Polícia Federal (PF). Esse é o passo inicial antes das negociações sobre os benefícios da colaboração e a restituição de valores.
Conteúdo dos anexos da delação
Cada anexo da delação aborda um episódio distinto de irregularidades cometidas por Vorcaro e por outras pessoas, com detalhamento dos fatos, identificação dos envolvidos e apresentação de provas. No material, Vorcaro relata os crimes que teria praticado, as condutas ilícitas que envolvem terceiros e lista as evidências que poderá fornecer caso o acordo seja aceito pelas autoridades. Com base nesses elementos, os anexos foram elaborados.
Entrega e tramitação
A informação sobre a conclusão dos anexos foi divulgada inicialmente pelo jornal O Globo e confirmada pela reportagem. A reportagem apurou com pessoas que acompanham o caso que o material foi entregue por volta das 12h desta quarta-feira (6). Após a apresentação desses documentos, que tramitarão sob sigilo, a defesa e os investigadores iniciarão a discussão sobre condições como a redução de pena e o regime prisional a que ele será submetido. Até o momento, o entendimento das autoridades é de que ele não deve receber perdão judicial. Também serão discutidos os valores que Vorcaro terá que pagar ao Estado, a título de multa ou ressarcimento.
Presença na PF e transferência
A defesa do ex-banqueiro tem ido diariamente à Superintendência da PF em Brasília, onde os depoimentos de Vorcaro são colhidos. Vorcaro foi transferido em 19 de março para a Superintendência da Polícia Federal do Distrito Federal, com o objetivo de discutir os termos de sua delação premiada. A decisão foi tomada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que relata o inquérito sobre irregularidades relacionadas ao Banco Master.
Histórico da prisão
Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro, quando tentava embarcar para o exterior no aeroporto de Guarulhos. A PF aponta que ele tentava fugir do país, mas ele alega que viajaria para encontrar investidores interessados em comprar o Banco Master. Ele foi solto dez dias depois e voltou a ser preso em 4 de março, durante a operação policial Compliance Zero, que também atingiu servidores do Banco Central.
Cunhado também busca delação
Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e também preso durante as investigações contra as fraudes do Banco Master, trocou sua equipe de defesa e mira conseguir fechar um acordo de delação premiada.



