Deolane Bezerra é transferida para penitenciária em Tupi Paulista
Deolane Bezerra transferida para Tupi Paulista (23.05.2026)

Deolane Bezerra é transferida para penitenciária em Tupi Paulista

A advogada e influenciadora Deolane Bezerra foi transferida para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo. De acordo com policiais penais da unidade ouvidos pelo g1, ela terá que retirar o mega hair (aplique de cabelo) para permanecer no local, por questões de segurança. O procedimento é adotado porque o cabelo alongado poderia representar risco de fuga, não necessariamente da acusada. Piercings também não são permitidos na unidade.

Após passar pela Penitenciária Feminina de São Paulo, na capital, onde policiais penais denunciaram supostas regalias concedidas à influenciadora, Deolane foi transferida para o interior do estado. Os policiais informaram que a influenciadora está em uma ala destinada a presos advogados, em celas chamadas de Estado Maior, e que ela não divide espaço com presas comuns, tampouco mantém contato com as demais detentas. Além disso, Deolane estaria utilizando uniforme padrão e os mesmos itens fornecidos às outras presas, como toalhas, cobertores, lençóis, travesseiros e colchões.

Denúncias de regalias em Santana

O Sindicato dos Policiais Penais do Estado de São Paulo (Sinppenal) denunciou à Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) supostas regalias concedidas a Deolane enquanto ela ficou presa por 14 horas na Penitenciária Feminina de Santana, na Zona Norte da capital paulista. Entre os supostos privilégios estariam um chuveiro exclusivo, uma cama diferente e alimentação distinta dos oferecidos às demais detentas.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

O g1 procurou a SAP, que informou que custodiou a prisão de Deolane como advogada, de acordo com a decisão da Justiça. A pasta não respondeu se irá apurar as denúncias feitas pelo sindicato. A defesa da influenciadora foi procurada, mas não comentou. A Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP) informou que existe previsão legal no Estatuto da Advocacia para que advogados presos preventivamente sejam recolhidos em sala de Estado-Maior ou local equivalente, separado dos presos comuns.

Supostos privilégios detalhados

Entre os supostos privilégios denunciados pelo Sinppenal estariam: improvisação de uma cela especial, preparada exclusivamente para receber Deolane, que ficou sozinha no local; instalação de uma cama de ferro com colchão, lençol e travesseiro diferentes das camas de concreto usadas pelas demais detentas; chuveiro elétrico privativo instalado no local; reforma e pintura do espaço; restrição de acesso de policiais penais ao local; e recepção pela direção da unidade.

Deolane ficou detida na unidade de Santana das 15h20 de quinta-feira (21) até 5h20 de sexta-feira (22), quando foi transferida para Tupi Paulista, a cerca de 670 km da cidade de São Paulo. Ela foi presa em uma operação do Ministério Público e da Polícia Civil que investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Áudios e mensagens revelam críticas

O g1 teve acesso a áudios e mensagens com relatos de policiais penais que criticam os supostos privilégios. Em um dos áudios, um policial afirma que mandaram pintar toda a cela, colocar chuveiro quente e fizeram reforma, faltando apenas colocar ar condicionado. Outro agente compara o tratamento dado a Deolane com o de outras detentas, reclamando da falta de remédios e assistência médica para as demais presas.

“Arrumaram até uma cama, cama com estrado, tudo bonitinho, vai colocar o colchãozinho”, diz um denunciante. “Só faltou estender o tapete vermelho e pegar nas duas mãos e vir como se fosse uma rainha. Nunca vi uma cena dessa.” Outro policial afirma que Deolane comeu comida de policial, não de presa, enquanto os guardas recebiam polenta, arroz, feijão, salada e carne de porco cozida.

Pedido de apuração

O Sinppenal solicitou a abertura de procedimento administrativo disciplinar para apurar os fatos e identificar os responsáveis. O presidente do sindicato, Fábio Jabá, afirmou que a situação levanta preocupações quanto à legalidade do tratamento dado a uma detenta suspeita de ligação com o crime organizado e com a imagem pública da instituição. A entidade pediu o envio do caso à Corregedoria da Polícia Penal e ao Ministério Público.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Superlotação nas unidades

A Penitenciária Feminina de Santana, a maior do estado, tem capacidade para 2.686 detentas, mas abriga 2.825 mulheres, cerca de 5,2% acima do limite. Já a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, conhecida por receber presas de maior complexidade, tem capacidade para 714 detentas, mas abriga atualmente 873 mulheres, cerca de 22% acima do limite.

Defesa e questionamentos

A defesa de Deolane entrou com pedido de prisão domiciliar, alegando que ela tem um filho de 9 anos para cuidar, conforme mencionado em sua audiência de custódia. Os advogados afirmam que não há justificativa para a manutenção da prisão em regime fechado nas condições atuais. A SAP não respondeu se irá apurar as denúncias de supostas regalias.