A advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra foi transferida na manhã desta sexta-feira (22) para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, localizada no interior do estado de São Paulo. A unidade prisional, que tem capacidade oficial para 714 detentas, atualmente abriga 873 presas, configurando superlotação. A confirmação da transferência foi feita pelo secretário da Segurança Pública, Nico Gonçalves.
Saída de Santana e chegada a Tupi Paulista
Deolane deixou a Penitenciária Feminina de Santana, na Zona Norte da capital paulista, por volta das 5h. Ela havia passado a noite no local após ser presa em sua residência em Alphaville, em Barueri, durante uma operação conjunta do Ministério Público e da Polícia Civil. A ação investiga um esquema de lavagem de dinheiro vinculado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A previsão é que a influenciadora chegue a Tupi Paulista por volta do meio-dia.
Investigação aponta elo com o PCC
De acordo com as investigações, Deolane é apontada como integrante da facção criminosa e teria um papel central na estrutura financeira do grupo. O inquérito indica que contas bancárias ligadas a ela eram utilizadas para movimentar recursos do PCC e dificultar o rastreamento do dinheiro. Ao sair da sede da Polícia Civil, no Centro de São Paulo, antes da transferência, Deolane declarou que “a Justiça vai ser feita”. A audiência de custódia ocorreu na tarde de quinta-feira (21), e a Justiça manteve a prisão preventiva.
Superlotação no sistema prisional feminino
A Penitenciária Feminina de Santana, onde Deolane passou a primeira noite, tem capacidade para 2.686 detentas, mas abriga atualmente 2.825 mulheres, segundo dados da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) atualizados na quarta-feira (20). Inaugurada em 8 de dezembro de 2005, a unidade possui 108 mil metros quadrados de área construída e opera em regime fechado, sendo a maior penitenciária feminina do estado em número de vagas. O presídio está localizado na Avenida General Ataliba Leonel, no bairro do Carandiru, historicamente marcado pelo antigo Complexo Penitenciário do Carandiru, palco do massacre de 1992 que resultou na morte de 111 presos. Parte do terreno hoje abriga o Parque da Juventude.
Esquema bilionário de lavagem de dinheiro
A prisão de Deolane ocorre em meio a uma investigação que aponta a existência de um esquema bilionário de lavagem de dinheiro. Segundo a polícia, a influenciadora usava sua estrutura financeira e projeção pública para dar aparência de legalidade a recursos ilícitos. O dinheiro atribuído ao PCC era misturado a recursos de outras atividades antes de retornar à facção. Os investigadores afirmam que o lucro do esquema era incorporado à economia formal por meio da compra de bens de alto valor em nome de empresas ligadas à advogada, como uma Ferrari SF90 Stradale avaliada em R$ 4,7 milhões e um Porsche 911 Carrera.
Origem da investigação
A prisão de Deolane na Operação Vérnix teve origem na troca de bilhetes e manuscritos apreendidos em 2019 em um presídio de Presidente Venceslau. Durante a análise do material, os investigadores encontraram menções a uma “mulher da transportadora”, responsável por levantar endereços de agentes públicos para viabilizar ataques planejados pela organização criminosa. Em 2021, a Operação Lado a Lado apreendeu o celular de Ciro Cesar Lemos, operador central do esquema, revelando detalhes sobre a lavagem de dinheiro e conexões financeiras com a influenciadora.
Movimentações financeiras suspeitas
Entre 2018 e 2021, Deolane recebeu em sua conta física R$ 1.067.505,00 em depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil, técnica conhecida como smurfing. Segundo a polícia, o intermediador era Everton de Souza, que indicava a conta de Deolane para “fechamentos” mensais. Além disso, quase 50 depósitos foram feitos a duas empresas de Deolane, no valor total de R$ 716 mil, por uma empresa que se apresenta como banco de crédito e tem como responsável um homem residente na Bahia que recebe cerca de um salário mínimo por mês. A análise das contas não identificou pagamentos relacionados a esses créditos, o que é apontado como indício de ocultação de recursos do PCC. Também não foram identificadas prestações de serviço como advogada que justificassem os valores repassados.
Deolane Bezerra passou as últimas semanas em Roma, na Itália. Seu nome chegou a ser incluído na lista da Difusão Vermelha da Interpol, mas ela retornou ao Brasil na quarta-feira (20).



