Operação Vérnix: Deolane Bezerra presa em esquema de lavagem de dinheiro do PCC
Deolane Bezerra presa em operação contra lavagem de dinheiro do PCC

Operação prende influenciadora Deolane Bezerra e mira família de Marcola por lavagem de dinheiro

A Operação Vérnix, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil, resultou na prisão da influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra nesta quinta-feira (21). A ação também teve como alvo Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), além de seus familiares. A investigação, que durou sete anos e passou por quatro fases, aponta um esquema estruturado de lavagem de dinheiro oriundo do crime organizado, utilizando empresas de fachada controladas pela cúpula da facção.

As fases da investigação

Fase 1: Descoberta de anotações no presídio

A primeira etapa começou com a apreensão de anotações na Penitenciária II de Presidente Venceslau. Os bilhetes e manuscritos, encontrados com dois presos, continham referências ao tráfico de drogas, ligações com chefes do PCC e planos de atentados contra servidores públicos.

Fase 2: Identificação da transportadora de fachada

Após análise do material, os investigadores chegaram a uma transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau, próxima ao presídio de segurança máxima. A empresa apresentava movimentações financeiras milionárias incompatíveis com a renda declarada, sendo utilizada para lavagem de dinheiro.

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Fase 3: Celular oculto revela controle do PCC

Em uma operação contra o esquema de lavagem, a polícia apreendeu um celular escondido com um operador do PCC. As mensagens revelaram o controle direto do esquema pelos líderes da facção, com divisão de lucros e participação de intermediários, incluindo Deolane Bezerra e Emerson de Souza.

Fase 4: Confirmação técnica da lavagem

Relatórios financeiros confirmaram a lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada, depósitos fracionados e ocultação de patrimônio. A técnica de smurfing, com depósitos abaixo de R$ 10 mil, foi amplamente utilizada.

Detalhes da investigação

A investigação teve início em 2019, com a apreensão de bilhetes e manuscritos pela Polícia Penal. O material gerou três inquéritos policiais sucessivos. O primeiro focou nos dois presos portadores dos manuscritos, que foram condenados e transferidos para o sistema penitenciário federal. A menção a uma “mulher da transportadora” nos bilhetes levou ao segundo inquérito, que identificou a empresa de fachada Lado a Lado Transportes (ou Lopes Lemos Transportes), usada para lavagem de dinheiro.

Em 2021, a Operação Lado a Lado revelou movimentações financeiras incompatíveis e crescimento patrimonial sem lastro. A apreensão do celular de Ciro Cesar Lemos, operador central, forneceu mais informações sobre o esquema. Ele é apontado como homem de confiança de Marcola e Alejandro, responsável por comprar caminhões, realizar pagamentos e administrar patrimônio. Imagens de depósitos para contas de Deolane Bezerra e Everton de Souza foram encontradas no aparelho. Ciro e sua esposa estão foragidos.

A Operação Vérnix, terceira etapa, aprofundou-se no esquema de lavagem, identificando o uso de pessoas jurídicas, recebimentos de origem não esclarecida e aquisição de bens de alto padrão por Deolane. A projeção pública e a atividade empresarial formal serviam como fachada para dificultar a identificação da origem ilícita dos recursos.

Deolane Bezerra como recebedora de dinheiro do PCC

Cruzamentos de provas apreendidas com relatórios financeiros mostraram que Deolane Bezerra recebeu dinheiro do PCC. Entre 2018 e 2021, ela recebeu R$ 1.067.505,00 em depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil em sua conta física. O intermediador era Everton de Souza, que indicava a conta de Deolane para fechamentos mensais. Quase 50 depósitos, totalizando R$ 716 mil, foram feitos a duas empresas de Deolane por uma empresa de crédito cujo responsável recebe cerca de um salário mínimo mensal. A investigação não identificou pagamentos relacionados a esses créditos, indicando ocultação de recursos do PCC. Também não foram encontradas prestações de serviços advocatícios que justificassem os valores recebidos. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 27 milhões em nome de Deolane Bezerra.

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Quem é Deolane Bezerra?

Deolane Bezerra é advogada, influenciadora digital e empresária, com cerca de 21,7 milhões de seguidores no Instagram. Ganhou notoriedade após a morte do marido, o funkeiro MC Kevin, em 2021, e por ostentar fotos de carros de luxo e mansões em Alphaville, Barueri. Em setembro de 2024, foi presa pela primeira vez na Operação Integration, em Pernambuco, por suspeita de lavagem de dinheiro e jogos ilegais. Investiu R$ 65 milhões em 12 imóveis de luxo em três anos. Ficou presa por cinco dias e depois obteve habeas corpus, respondendo em liberdade com tornozeleira eletrônica.