Delegada de MG pode ser demitida por supostas falhas na guarda da arma usada pelo marido em crime
Delegada pode ser demitida por falhas na guarda de arma

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para investigar possíveis infrações cometidas pela delegada Ana Paula Lamego Balbino Nogueira, que podem resultar em sua demissão. Ela está afastada do cargo desde agosto do ano passado, após seu marido, o empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, confessar ter matado o gari Laudemir de Souza Fernandes durante uma discussão no trânsito em Belo Horizonte.

De acordo com portaria publicada no Diário Oficial de Minas Gerais nesta quinta-feira (23), a Corregedoria-Geral da Polícia Civil apura se a delegada cometeu transgressões disciplinares graves previstas em lei. Entre as possíveis infrações estão falhas na guarda da arma funcional, permitir o uso do armamento por terceiros, não comunicar irregularidades e descumprir deveres profissionais. A Polícia Civil informou, em nota, que o procedimento tramita sob sigilo para garantir a apuração dos fatos e o direito ao contraditório e à ampla defesa.

Ana Paula Lamego Balbino já havia sido indiciada por porte ilegal de arma de fogo e por prevaricação, pois a arma usada no crime pertencia a ela. Segundo a polícia, ela sabia que o marido utilizava o armamento. A delegada está afastada das funções desde 13 de agosto e teve a licença médica prorrogada por sucessivas vezes. Mesmo sem trabalhar, ela continuou recebendo cerca de R$ 16 mil líquidos durante esse período, conforme o Portal da Transparência. A defesa de Ana Paula afirma que a licença é legal e foi concedida por um servidor público.

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Entenda o caso

O gari Laudemir de Souza Fernandes, de 44 anos, foi morto a tiros em 11 de agosto, enquanto trabalhava na coleta de lixo no bairro Vista Alegre, Região Oeste de Belo Horizonte. O empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, de 47 anos, confessou que cometeu o crime após se irritar ao encontrar o caminhão de lixo parado na rua. Após ameaçar a motorista do caminhão, Renê desceu do carro e atirou contra os garis, atingindo Laudemir. Ele foi preso horas depois e, inicialmente, negou o crime, mas depois confessou o assassinato em depoimento à Polícia Civil.

Renê foi indiciado por homicídio duplamente qualificado, porte ilegal de arma e ameaça. Em janeiro, ele se tornou réu pelo crime e vai a júri popular. Se condenado, pode pegar até 35 anos de prisão.

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