Corregedoria investiga registro de facada em cabeleireiro como lesão corporal
Corregedoria apura registro de facada em cabeleireiro

A Corregedoria da Polícia Civil abriu uma investigação para apurar as circunstâncias do registro da facada desferida por uma cliente contra um cabeleireiro na Zona Oeste de São Paulo. O crime ocorreu na terça-feira (5) e foi inicialmente registrado como lesão corporal, ameaça e autolesão, mas a defesa da vítima alega que se trata de tentativa de homicídio e homofobia.

O ataque

Laís Gabriela Barbosa da Cunha, de 27 anos, procurou o cabeleireiro Eduardo Ferrari para pedir a devolução do dinheiro após um suposto corte mal-sucedido em sua franja. Durante uma discussão no salão, enquanto Eduardo atendia outra cliente, Laís tirou uma faca da bolsa e desferiu um golpe contra o profissional, que estava de costas. O gerente do salão, Felipe Castro, que acompanhava a discussão, impediu que a facada fosse mais profunda.

A Polícia Militar foi acionada e o caso foi registrado no 91º Distrito Policial (Ceasa) como lesão corporal, ameaça e autolesão. No entanto, a defesa de Ferrari afirma que a ação configura tentativa de homicídio seguida de crime de homofobia.

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Investigação da Corregedoria

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) lamentou o episódio e informou que a Corregedoria instaurou procedimento para apurar todas as circunstâncias. A vítima e sua representante legal foram contatadas, e uma nova oitiva foi agendada para a sede da Corregedoria na segunda-feira (11). A SSP destacou que a tipificação inicial é baseada nos elementos disponíveis no momento do registro, podendo ser reavaliada com o surgimento de novas provas.

Eduardo Ferrari prestará depoimento à Polícia Civil na segunda-feira (11). Sua advogada, Quecia Montino, entende que a dinâmica da agressão, a violência empregada e o local atingido merecem análise mais aprofundada. Ela afirmou que procurará o Ministério Público para reclassificar o crime como homofobia e tentativa de homicídio.

Defesa da agressora

A defesa de Laís Gabriela, representada pelo advogado Murilo Augusto Maia, informou que a jovem tem transtorno psicótico diagnosticado desde 2023 e interrompeu o uso de medicamentos devido a uma hepatite. Laís faz tratamento em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) e foi ao salão para tentar resolver o problema do corte. A defesa alega que ela portava uma faca de cozinha na bolsa por ter sido vítima de assalto nas proximidades do terminal rodoviário da Barra Funda.

Laís mora em Ribeirão Preto e retornou a São Paulo no dia do episódio. Segundo o advogado, ela foi tratada com desprezo e deboche no salão. A jovem está extremamente abalada com a repercussão e afirma que jamais pensou em tentar contra a vida de Eduardo.

Reclamações anteriores

O advogado de Laís justificou que o corte foi feito em abril, e no dia seguinte ela já havia demonstrado insatisfação. Ao não conseguir resolver o problema por mensagens, voltou a São Paulo pessoalmente. A defesa nega que ela tenha demorado 30 dias para questionar o procedimento.

O episódio ocorreu no salão de Eduardo Ferrari na Barra Funda. A advogada do cabeleireiro afirmou que ele foi atacado de forma repentina, desproporcional e violenta pelas costas, classificando a conduta como grave tentativa de homicídio. Ela destacou que a autora declarou ter ido ao local com a intenção de matar, usando linguagem homofóbica.

Eduardo Ferrari, profundamente abalado, cobrou punição e afirmou que o caso deve ser investigado como tentativa de homicídio: “Isso não pode ficar impune”.

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