Uma inspeção realizada pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Roraima flagrou, nesta quarta-feira (6), oito trabalhadores atuando em condições degradantes em uma pedreira de extração de rochas localizada na zona rural de Mucajaí, no sul do estado. O proprietário do local não foi localizado durante a fiscalização.
Condições de trabalho inadequadas
Os funcionários exerciam suas atividades sem qualquer equipamento de proteção individual (EPI), sem uniforme e sem acesso a condições básicas de higiene. As ferramentas utilizadas, como talhadeiras, estavam enferrujadas, e o corte de grandes blocos de rocha era feito manualmente. Uma estrutura de palha, sustentada precariamente por um pedaço de madeira, servia como abrigo para descanso.
Remuneração incerta e alojamento precário
Em depoimento aos auditores, os trabalhadores relataram que a jornada era por demanda, sem salário fixo mensal. O pagamento dependia da quantidade de produção na pedreira. O alojamento oferecido apresentava indícios de irregularidades e superlotação, com garrafas e equipamentos espalhados. Na cozinha, os alimentos eram armazenados e preparados de forma inadequada.
Ação fiscal e possíveis encaminhamentos
A operação contou com dez auditores fiscais e apoio da Polícia Federal. O auditor fiscal Rubens Patróni afirmou que a equipe avalia se a situação configura trabalho análogo à escravidão. Independentemente disso, será elaborado um relatório circunstanciado, com lavratura de autos de infração, que será enviado ao Ministério Público Federal, Ministério Público do Trabalho e Advocacia-Geral da União.
Lista suja do trabalho escravo
A chamada "lista suja" é um documento público divulgado semestralmente pelo Ministério do Trabalho, em abril e outubro, que dá visibilidade às fiscalizações de combate ao trabalho escravo. Na última atualização, Roraima manteve 14 nomes na lista.



