Comissão processante da Câmara pede cassação de Lincoln Fernandes em Ribeirão Preto
Uma comissão processante da Câmara Municipal de Ribeirão Preto (SP) apresentou, nesta segunda-feira (18), um relatório final que pede a cassação do vereador Lincoln Fernandes (PL) por envolvimento na prática de "rachadinha". O documento, lido pela relatora Judeti Zilli (PT), conclui que houve devolução de salários por parte de subordinados do gabinete do parlamentar.
As investigações, que duraram meses, basearam-se em depoimentos de ex-assessores e em análises de movimentações bancárias. Durante a leitura do relatório, a vereadora Judeti Zilli destacou evidências como depósitos em nome de Lincoln Fernandes e transferências de valores elevados realizadas por uma ex-assessora na mesma data em que ela contratou um empréstimo consignado de R$ 20 mil. Outro ponto levantado foi a suspeita de que o aluguel de uma chácara onde o vereador residia teria sido pago por um ex-assessor.
"O fato comprovado do ex-assessor que de fato alugou a chácara ter pago comprovadamente boleto de aluguel da mesma, as evidências de entrega de valores em espécie de seus assessores, uma vez que alguns afirmaram que sacavam grande volume de recursos em espécie na data de recebimento dos pagamentos realizado por esta Câmara Municipal, diante de todo o exposto, possui provas para a fundamentação da prática de rachadinha pelo vereador Lincoln Pereira Fernandes", afirmou a relatora durante a sessão.
O relatório ainda precisa ser submetido à votação no plenário da Câmara, que decidirá pela cassação ou não do mandato de Lincoln Fernandes. O vereador, que ocupa o cargo de segundo secretário na mesa diretora, foi investigado por supostamente exigir parte dos salários dos assessores como condição para mantê-los nos cargos.
A abertura do processo de cassação foi aprovada em 25 de fevereiro por 20 vereadores. Inicialmente, o caso foi encaminhado ao Conselho de Ética, mas este o devolveu à presidência da Casa por entender que a comissão processante era o rito mais adequado. A comissão foi presidida por Jean Coraucci (PSD), com Judeti Zilli (PT) como relatora e Sargento Lopes (PL) como membro.
A reportagem do g1 entrou em contato com o vereador e sua defesa, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. Durante os trabalhos da comissão, Lincoln Fernandes e seus advogados alegaram problemas nas investigações, como obtenção de provas ilícitas, e apontaram motivações pessoais por trás das denúncias.
O caso ganhou repercussão na cidade e levantou debates sobre a conduta ética de parlamentares. A decisão final caberá ao plenário, que deverá analisar o relatório e votar pela cassação ou absolvição do vereador.



