A Câmara de Vereadores de Ribeirão Preto (SP) decidiu, nesta quarta-feira (20), cassar o mandato do vereador Lincoln Fernandes (PL) por quebra de decoro parlamentar, em razão da prática de rachadinha. A votação foi unânime: 20 votos a favor da cassação. O presidente da Casa, Daniel Gobbi (PP), não votou conforme o regimento. A sessão extraordinária ocorreu na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), já que o plenário do legislativo passa por obras.
Suplente assume o cargo
Com a perda do mandato, o suplente Camilo Calandreli (PL) deve assumir a vaga de vereador. Lincoln Fernandes não compareceu à sessão. Sua defesa negou qualquer irregularidade e pediu o arquivamento do processo, mas o pedido foi rejeitado.
Comissão processante
O pedido de cassação foi apresentado pela comissão processante composta pelos vereadores Jean Coraucci (PSD), que presidiu os trabalhos, Judeti Zilli (PT), relatora, e Sargento Lopes (PL), como membro. O relatório final concluiu que houve devolução de salários por subordinados no gabinete de Lincoln, com base em depoimentos de ex-assessores e movimentações bancárias que indicavam repasses e pagamento de despesas do denunciado.
Investigação e histórico
Lincoln, que ocupava o cargo de segundo secretário na mesa diretora, foi investigado por suspeita de recolher parte dos salários dos assessores como condição para mantê-los nos cargos. A denúncia foi apresentada em 2025, mas ex-assessores relataram que a prática ocorria desde 2017. A abertura do processo de cassação foi aprovada em 25 de fevereiro por 20 vereadores, com abstenções do próprio Lincoln e do presidente Isaac Antunes (PL), que só votaria em caso de desempate.
Na ocasião, a defesa de Lincoln manifestou 'inconformismo e repúdio', alegando que o caso se baseia 'estritamente em informações inverídicas e flagrantemente falsas' e que buscaria a apuração e responsabilização de quem 'utiliza o aparato público para fins espúrios e caluniosos'.



