O delegado-geral da Polícia Civil do Ceará, Márcio Gutiérrez, concedeu entrevista à TV Verdes Mares nesta terça-feira (28) e fez um balanço das ações de combate ao crime organizado no estado. Segundo ele, a instituição solicitou à Justiça o bloqueio de mais de R$ 2,2 bilhões em patrimônio de organizações criminosas nos últimos três anos.
Bloqueio e reversão de bens
“De 2023 para cá, nós já representamos por mais de 2,2 bilhões de reais, que foi movimentado pelo crime organizado. Esse patrimônio fica sob análise. A partir de então, a gente vai fazendo toda a análise, estruturação de onde veio, para onde ia, por onde passou”, explicou Gutiérrez. Além do bloqueio, a Polícia Civil também requer a reversão dos bens para o Estado.
O delegado-geral informou que “o último balanço que eu tive era que nós já tínhamos mais de R$ 150 milhões passíveis de reversão, ou seja, patrimônio bloqueado que foi analisado e realmente não tinha lastro, origem lícita. Era patrimônio movimentado pelo crime organizado”. Ele acrescentou que “esse patrimônio vai entrando aos poucos para o estado, vai sendo devolvido aos poucos conforme as ações vão sendo julgadas, e isso vai gerando um ciclo virtuoso. O dinheiro do crime vai alimentando as instituições policiais para que a gente esteja ainda mais fortalecido para combater o crime”.
Exemplo de reversão: carros de luxo viram viaturas
Um exemplo concreto da reversão de bens é a destinação de veículos de luxo, antes ostentados por líderes de facções, para se tornarem viaturas policiais. Em 2018, uma BMW 320i passou a integrar a frota da Polícia Civil do Ceará, após decisão judicial.
Lei Antifacção fortalece o combate
Márcio Gutiérrez destacou que a criação da Lei Antifacção, sancionada há pouco mais de um mês, tem fortalecido o combate ao crime organizado. “A Lei Antifacção era uma expectativa muito grande que as forças de segurança do país tinham. A gente precisava realmente de legislação que tratasse as facções criminosas de forma mais dura, e a Lei Antifacção veio exatamente nesse sentido”, afirmou.
O delegado-geral explicou que, “a depender da situação específica de cada caso, essas penas podem chegar a 80 anos de prisão, por exemplo, para liderança dessa organização criminosa, se tiver cooptação de menores ou se tiver algum tipo de atentado contra policiais ou membros do Ministério Público”.
Um dos últimos autuados pela nova lei foi o cantor conhecido como MC Black da Penha, preso em Fortaleza no último domingo (26). Ele veio do Rio de Janeiro para se apresentar em um evento no bairro Bom Jardim, no sábado (25). As investigações apontam que ele fazia apologia a uma facção criminosa nas letras de suas músicas.
Números de 2025: mais de 2.800 presos por facção
Segundo Márcio Gutiérrez, em 2025, as forças de segurança pública do Ceará prenderam mais de 2.800 suspeitos de integrar facções e mais de 2.500 suspeitos de envolvimento com homicídios. Dentre os presos por integrar organização criminosa, 251 foram capturados fora do estado.
“Consequência do trabalho constante de inteligência, de monitoramento, de busca de alvos, e a gente vai continuar os monitorando para que, no tempo certo, a gente consiga efetuar a captura. Temos conseguido fazer isso, e continua sendo uma das nossas prioridades aqui esse ano”, afirmou o delegado-geral.



