Uma auxiliar de enfermagem do Hospital Mário Gattinho, em Campinas (SP), foi presa em flagrante na manhã desta quinta-feira (7) por injúria racial contra uma colega de trabalho. A suspeita teria ofendido a vítima durante o expediente com as expressões "negra encardida e fedorenta".
O caso
Segundo a Rede Mário Gatti, logo após o ocorrido, foi decidido pelo afastamento da servidora acusada. Também será aberto processo ético e disciplinar. Conforme o que for apurado pela Polícia Civil, esse processo poderá levar à exoneração da servidora. Já a vítima receberá o atendimento necessário em sua rede de acolhimento especializada nesses tipos de casos.
A denúncia partiu de uma funcionária da unidade de saúde. Ao chegar no local, a Guarda Municipal foi informada de que uma mulher de 56 anos teria ofendido a sua colega de 27 anos, que trabalha como técnica de enfermagem. Segundo o boletim de ocorrência, a vítima relatou que ingressou na cozinha do hospital para tomar café e, logo na sequência, iniciou conversa com a suspeita. Ocorreu um desentendimento entre as servidoras, sendo que a autora teria ofendido a técnica de enfermagem, chamando-a de "negra encardida e fedorenta". Aos agentes, a denunciante confirmou as ofensas e a suspeita admitiu os fatos.
As duas servidoras foram levadas para o 1º Distrito Policial (DP) de Campinas, onde o caso foi registrado como preconceito de raça ou de cor (injúria racial). A Polícia Civil irá investigar as circunstâncias do crime.
Posicionamento da Prefeitura e da Rede Mário Gatti
A Prefeitura de Campinas disse que "repudia e não compactua com qualquer tipo de ato de discriminação", e destacou políticas públicas para ações antirracistas. A Rede Mário Gatti informou que, logo após o ocorrido, decidiu pelo afastamento da servidora suspeita pelas ofensas. Também será aberto processo ético e disciplinar. De acordo com o que for apurado pela Polícia Civil, esse processo pode levar à exoneração da servidora.
A prefeitura disponibilizará à vítima todo o atendimento necessário em sua rede de acolhimento especializada nesses tipos de casos. Além disso, mantém uma série de políticas, equipamentos e canais para apoiar ações antirracistas, como o Centro de Referência em Direitos Humanos para Prevenção e Combate ao Racismo, que oferece acolhimento, acompanhamento e encaminhamento de denúncias de racismo e discriminação religiosa, além de realizar ações educativas.
Outras iniciativas incluem: Cotas Raciais em Concursos, que reserva vagas para pessoas pretas e pardas em concursos públicos municipais e processos seletivos; o Programa de Educação para Relações Étnico-Raciais (Proerer), que promove a formação de educadores e materiais inclusivos; o Protocolo Antirrascista da Secretaria Municipal de Educação (Pasmec), que estabelece protocolos para enfrentar o racismo dentro das escolas municipais; o Observatório Mipid, que produz dados estatísticos para diagnosticar e fomentar políticas educacionais na área étnico-racial; e o Comitê Técnico da Saúde da População Negra, que atua para promover a equidade no sistema de saúde, propondo indicadores e políticas específicas para essa população.
A Prefeitura também destacou o Guia de Terminologias, documento orientador para servidores e população sobre o uso correto de termos em políticas afirmativas e comunicações oficiais; a adesão ao Sinapir, que facilita o acesso a recursos federais para políticas antirracistas; o Plano Municipal de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, que define metas em 15 eixos temáticos; a Coordenadoria de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial (Cepir); o Conselho de Desenvolvimento e Participação da Comunidade Negra; o Fundo Municipal de Valorização da Comunidade Negra; o desenvolvimento de Lideranças Negras; e o Calendário Oficial de Luta, que reconhece datas importantes como o Mês da Consciência Negra e o Dia de Tereza de Benguela.



