Aluna é identificada por laudo de caligrafia por pichações racistas na UFSCar Sorocaba
Aluna é identificada por pichações racistas na UFSCar Sorocaba

Investigação aponta autoria por meio de análise de caligrafia

A Polícia Civil de São Paulo concluiu, por intermédio de um laudo de análise de caligrafia, a identificação da aluna suspeita de realizar pichações racistas na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), campus de Sorocaba. O documento técnico serviu de base para que o Ministério Público de São Paulo (MPSP) oferecesse denúncia contra a jovem, requerendo ainda uma compensação financeira de R$ 2 mil por danos morais a cada uma das vítimas.

Contexto do crime

O incidente veio a público em 29 de agosto de 2024, quando estudantes se depararam com inscrições racistas espalhadas por diversos pontos da universidade. As mensagens, carregadas de ofensas como “imunda” e “preta suja”, eram dirigidas a alunas específicas, provocando comoção e revolta na comunidade acadêmica.

Prova técnica

A comprovação da autoria foi possível graças a um laudo grafotécnico, que confrontou a caligrafia da estudante com os dizeres pichados. Conforme o documento, ao qual esta reportagem teve acesso, a aluna foi submetida a 40 repetições das frases racistas para que a perita pudesse realizar a análise. O resultado apontou “convergências gráficas” entre os escritos, consolidando a evidência.

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Manifestação do Ministério Público

Com base nessa prova, o MPSP protocolou a denúncia na Justiça em 28 de abril. O promotor Gustavo dos Reis Gazzola sustenta que a denunciada agiu com o claro objetivo de humilhar e menosprezar as vítimas em razão de sua raça e cor. “A denunciada agiu com inequívoco intuito de humilhar e menosprezar as vítimas em razão de sua raça e cor, chamando-lhes de ‘pretas sujas e fedidas’. A pichação incita o ódio”, afirma o promotor no documento.

Prazo para defesa e pedido de indenização

A estudante tem até sexta-feira (8) para apresentar sua defesa. O promotor justifica o pedido de indenização de R$ 2 mil para cada vítima “em razão do expressivo abalo emocional sofrido”. A reportagem tentou contato com a defesa da aluna, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.

Relembre o caso

As estudantes relataram que, ao chegarem ao campus para verificar as pichações, foram recebidas com hostilidade por seguranças. Uma das vítimas, visivelmente abalada, foi repreendida. “Ao perceberem o estado emocional da vítima, ao invés de oferecerem apoio, começaram a gritar com ela, exigindo saber se ela era realmente a vítima das pichações”, diz o relato. “Eles pareciam mais preocupados em controlar a situação de forma autoritária do que em oferecer qualquer tipo de suporte”, completa.

Em reunião com a diretoria da universidade, as alunas afirmam ter sentido “falta de interesse” na apuração. Segundo elas, a gestão ignorou pichações em algumas áreas e deu informações conflitantes sobre as câmeras de segurança. “Questionamos a diretora sobre a funcionalidade das câmeras. Em resposta, ela disse que as imagens haviam sido solicitadas. Porém, dias depois, ela revelou não saber que as câmeras estavam em manutenção”, afirmam as estudantes.

As alunas destacam que o episódio não é isolado. “Infelizmente, a UFSCar convive muito com o racismo. Nos jogos universitários, alunos imitaram um macaco para um estudante negro. Pichações também já ocorreram muitas outras vezes. Os estudantes têm medo de denunciar”, alegam.

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