Funcionário da ViaMobilidade morre após descarga elétrica na Linha 9-Esmeralda
Funcionário da ViaMobilidade morre eletrocutado na Linha 9

Um funcionário da ViaMobilidade morreu na madrugada desta quarta-feira (6) após sofrer uma descarga elétrica enquanto realizava um serviço de manutenção programada na rede aérea da Linha 9-Esmeralda, na região da estação Morumbi, em São Paulo. O acidente ocorreu por volta de 1h20, conforme a concessionária. O colaborador foi socorrido por equipes do Corpo de Bombeiros, mas não resistiu aos ferimentos. Informações preliminares do boletim de ocorrência indicam que a causa da morte foi descarga elétrica.

A ViaMobilidade informou, por meio de nota, que está em contato com a família da vítima para prestar suporte e acolhimento. A empresa também afirmou que está fornecendo todos os esclarecimentos às autoridades competentes e lamentou a morte do funcionário. Em 2022, outro trabalhador também morreu ao fazer reparos em um transformador de energia.

Investigação sobre falhas

Além do acidente da madrugada, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) anunciou na terça-feira (5) a abertura de um novo inquérito civil público para investigar as falhas recentes de operação da ViaMobilidade nas linhas privadas de trens e metrô em São Paulo. Na portaria a que o g1 teve acesso, o promotor Silvio Marques, da Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social, lembra que os recentes descarrilamentos e falhas da empresa na operação das linhas 8 e 9 de trens metropolitanos e na linha 5-Lilás do Metrô podem significar novas violações no contrato de concessão junto ao governo de São Paulo.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Em agosto de 2023, Marques já tinha fechado um termo de ajustamento de conduta (TAC) com a ViaMobilidade, em razão das inúmeras falhas no serviço assumido, logo depois do repasse das linhas da CPTM para o setor privado. Naquela ocasião, a ViaMobilidade se comprometeu a pagar R$ 150 milhões em indenização para o estado e adiantar R$ 636 milhões em investimento nas linhas no prazo de dois anos.

Segundo o promotor, as novas falhas podem indicar que o TAC não está sendo cumprido pela concessionária e precisa ser investigado. “O TAC não acarreta qualquer imunidade à concessionária, sobretudo se ocorrerem acidentes e incidentes graves, como descarrilamentos e colisões de trens. (...) A investigação merece ser aprofundada e os novos fatos podem configurar, em tese, irregularidades que configuram novo dano material e moral ao Estado”, afirmou.

Além das falhas, Silvio Marques diz que chegou ao conhecimento do MP, através de denúncia sigilosa encaminhada à Ouvidoria do órgão, que as linhas operadas pela ViaMobilidade apresentam diversos problemas, tais como:

  • Atrasos constantes e intervalos longos entre os trens, mesmo em horários de pico;
  • Falhas de energia e sinalização, que causam paralisações e superlotação nas estações;
  • Falta de manutenção em trilhos gerando insegurança, evacuação de passageiros à noite e concentração em trens lotados;
  • Uso do sistema para fins comerciais ou eventos, como anúncios internos e externos usando uma estação desativada, prejudicando o funcionamento normal e a viagem dos passageiros das linhas 8 e 9, e utilizando um trem para desfile da Vogue;
  • Número insuficiente de trens nos horários de pico para economizar na manutenção;
  • Trens abandonados e sucateados no pátio Presidente Altino, causando desperdício de dinheiro público.

“Esta Promotoria de Justiça recebeu novas representações, pelas quais foram narradas diversas falhas na prestação de serviços pela concessionária, quase que diárias, na operação das Linhas 8 (Diamante) e 9 (Esmeralda) da CPTM, concedidas à ViaMobilidade. (...) Conforme amplamente divulgado pelos portais de notícias, no dia 26/4/2026 houve o descarrilamento de um trem na Linha 9 – Esmeralda, o que ocasionou inúmeros transtornos aos usuários do referido transporte público”, escreveu.

Além da ViaMobilidade, o MP incluiu na investigação do inquérito a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) e o Metrô, responsável pela operação da Linha 17-Ouro do Monotrilho, que também apresentou diversas falhas ao longo do primeiro mês de testes, após inauguração feita pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), em 31 de março.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Por meio de nota, a ViaMobilidade afirmou que “permanece à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários. A concessionária reitera seu compromisso com a qualidade dos serviços prestados aos clientes”. A Artesp também já se pronunciou no inquérito, segundo a própria portaria. O g1 também procurou os órgãos do governo Tarcísio de Freitas para comentarem o assunto, mas não recebeu retorno até a última atualização desta reportagem.

Artesp também investiga falhas

Conforme o g1 publicou, a Artesp anunciou em 27 de abril que solicitou à ViaMobilidade informações dos relatórios técnicos referentes às últimas falhas da Linha 9-Esmeralda, que sofreu no último mês vários problemas que prejudicaram a circulação de trens. A linha teve ao menos três problemas graves no último mês, que obrigaram a concessionária a acionar o sistema Paese de ônibus para os usuários continuarem viagem.

Segundo a Artesp, caso os documentos comprovem que houve descumprimento de contrato, a ViaMobilidade pode sofrer multa que varia de R$ 40 mil a R$ 4 milhões. "A Artesp fiscaliza e acompanha continuamente todos os registros de falhas e incidentes nos sistemas de transporte concedidos no Estado. A Agência já solicitou à concessionária responsável as informações detalhadas sobre o descarrilamento registrado na noite deste domingo (26) na Linha 9-Esmeralda, incluindo relatório técnico completo com as causas do incidente e as medidas adotadas”, disse o órgão. “A partir da análise desses documentos, a Artesp realizará avaliação técnica rigorosa e, caso seja constatado descumprimento contratual, poderá instaurar processo sancionatório para aplicação das penalidades cabíveis, incluindo multa entre R$ 40 mil e R$ 4 milhões", declarou.

Procurada na ocasião, a ViaMobilidade afirmou que "está prestando todos os esclarecimentos solicitados" pela agência.

Histórico de descarrilamentos

Desde quando a ViaMobilidade assumiu as operações da linha, já são quatro descarrilamentos registrados:

  • 27/04/2026: Descarrilamento na região da estação Berrini;
  • 31/03/2026: Desalinhamento nas proximidades da estação Varginha;
  • 17/11/2023: Trem descarrilou durante a noite, perto da estação Santo Amaro;
  • 28/02/2023: Incidente entre as estações Grajaú e Bruno Covas-Mendes/Vila Natal.

A Linha 8-Diamante, também administrada pela empresa, acumula um histórico ainda mais extenso, com seis descarrilamentos sob sua gestão: dois em 2022, três em 2023 e um em 2024.