O Brasil registrou o menor número de homicídios da série histórica em 2026, mas seis cidades da região de Campinas (SP) apresentaram aumento no índice. É o que revelam os dados do Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
Variação nas cidades
Na comparação da taxa a cada 100 mil habitantes, Valinhos (SP) teve a maior variação percentual, saltando de 0,77 para 3,05, um aumento de 296%. Americana registrou alta de 88,7%, passando de 4,08 para 7,7. Sumaré teve elevação de 28,1%, de 8,35 para 10,7. Outras cidades com aumento foram Campinas (23,5%), Indaiatuba (9,4%) e Paulínia (59,4%).
Por outro lado, Mogi Guaçu apresentou queda de 47%, de 9,45 para 5,01, e Hortolândia reduziu 45,2%, de 14,75 para 8,09.
Cenário nacional
O cenário regional vai na contramão do observado em âmbito nacional. De acordo com o levantamento, o Brasil teve a menor taxa de homicídios em 11 anos, com 42.590 mortes oficiais, o equivalente a 20,1 assassinatos a cada 100 mil habitantes, uma redução de 7,4% em relação a 2023.
Nos oito municípios da região de Campinas com mais de 100 mil moradores, foram contabilizadas 249 mortes violentas, um aumento de 12,1% em relação ao ano anterior. A taxa de homicídios subiu de 7,23 para 7,74.
Homicídios ocultos
O Atlas da Violência aponta que o número real pode ser maior. A região teria ainda 52 homicídios ocultos, casos em que mortes violentas registradas com causa indeterminada podem, na realidade, ser homicídios. A estimativa é feita por meio de aprendizado de máquina, analisando características das vítimas e detalhes dos incidentes.
Segundo o relatório, as diferenças entre os dados oficiais e os estimados decorrem, em geral, de problemas técnicos no compartilhamento de informações entre secretarias de saúde e segurança pública, sem intenção de ocultar dados.



