Operação Kratus prende três PMs suspeitos de atuar como seguranças para empresários ligados ao PCC
A Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo realizou nesta quarta-feira, 4 de dezembro, a prisão de três policiais militares acusados de prestar serviços de segurança para proprietários de uma empresa de ônibus investigada por conexões com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Durante as buscas, foi encontrada a quantia de R$ 1 milhão em dinheiro escondida na residência de um dos envolvidos, um sargento da reserva localizado no bairro de Interlagos, na Zona Sul da capital paulista.
Detalhes das prisões e apreensões na operação
A Operação Kratus, que resultou nas detenções, cumpriu um total de 16 mandados de busca e apreensão. Além do sargento aposentado, foram presos um policial militar da ativa e o capitão Alexandre Paulino Vieira, que atua na Assessoria Policial Militar da Câmara Municipal de São Paulo. Os investigadores estão apurando como esses três agentes se tornaram seguranças particulares de Luiz Carlos Efigênio Pacheco, conhecido como Pandora, e de Cícero de Oliveira, o Té.
Pandora era presidente e Té ocupava o cargo de diretor e acionista da Transwolff, empresa de transporte por ônibus que está sob investigação do Ministério Público por suspeitas de vínculos com o PCC. Ambos os empresários respondem ao processo em liberdade, enquanto a Transwolff nega qualquer ligação com atividades de narcotráfico.
Conexões do capitão e investigações em andamento
A Corregedoria também está examinando as conexões do capitão Alexandre Vieira, que trabalha no órgão responsável pela segurança dos vereadores e pela proteção pessoal do presidente da Câmara Municipal de São Paulo. Em nota oficial, a presidência da Casa declarou que o capitão integra a assessoria desde outubro de 2014, atuou de forma contínua sob cinco gestões diferentes e que seu cargo é de confiança, sem registros que desabonem sua conduta nas atribuições relacionadas à assessoria militar.
As investigações que levaram às prisões desta quarta-feira tiveram origem na análise de informações da Operação Fim da Linha, deflagrada pelo Ministério Público Estadual em abril de 2024. Na denúncia apresentada à Justiça, os promotores afirmaram que o PCC utilizava empresas de ônibus para lavar dinheiro proveniente do tráfico de drogas.
Esquema de lavagem de dinheiro e impactos no transporte público
Segundo as apurações, as empresas eram abertas em nome de laranjas, e o PCC injetava recursos ilícitos nelas para participar de licitações do transporte público de São Paulo. O lucro obtido retornava para a facção como dinheiro aparentemente legal. Como consequência, a prefeitura substituiu as empresas investigadas, garantindo a continuidade das operações das linhas de ônibus.
Atualmente, a Corregedoria analisa os celulares e computadores apreendidos durante a Operação Kratus, buscando evidências adicionais que possam esclarecer o envolvimento dos policiais e a extensão do esquema criminoso. A operação representa um marco no combate à infiltração de agentes públicos em atividades ilícitas ligadas ao crime organizado.



