PM acusado de matar mecânico durante fuga de blitz se torna réu após aceitação de denúncia
O policial militar acusado de matar o mecânico Marcus Phelipe Souza de Almeida, de 27 anos, durante uma operação de trânsito em Goiânia, virou réu após a Justiça aceitar a denúncia do Ministério Público de Goiás. O caso, que havia sido arquivado anteriormente, foi reaberto graças a um recurso administrativo interposto pela família da vítima, reacendendo o debate sobre o uso da força letal em situações de fuga de blitz.
Detalhes do incidente e controvérsias na investigação
O trágico episódio ocorreu em outubro de 2023, no Setor Residencial Bouganville, em Goiânia, durante a operação "Balada Responsável". Marcus Phelipe estava no banco do passageiro de um veículo que desobedeceu a uma ordem de parada, iniciando uma perseguição policial. A Polícia Militar inicialmente alegou que houve um confronto com troca de tiros, mas essa versão foi contestada por testemunhas e laudos periciais.
Segundo a investigação da Polícia Civil, o amigo da vítima que também estava no carro relatou que os tiros aconteceram logo no início da perseguição, com Marcus sendo baleado e caindo desacordado. A perícia confirmou que a vítima já estava ferida e que era improvável que tivesse reagido ou efetuado disparos. Além disso, não foi comprovado que Marcus estivesse armado, levantando questões sobre a legalidade da ação policial.
Arquivamento e reabertura do processo: uma jornada judicial conturbada
O caso enfrentou um percurso judicial acidentado. Inicialmente, o Ministério Público de Goiás arquivou o processo por considerar insuficientes os elementos para caracterizar um crime por parte do policial. No entanto, em dezembro, após a defesa da família entrar com um recurso, o MPGO reabriu as investigações.
O advogado da família criticou o arquivamento, destacando que a promotoria teria ignorado o trabalho técnico da Polícia Civil, que indicava a ausência de disparos provenientes do veículo. A defesa enfatizou que desviar de uma blitz não configura crime e não autoriza o emprego de força letal, reforçando a necessidade de um julgamento justo.
Posicionamentos institucionais e próximos passos
A Polícia Militar de Goiás emitiu uma nota afirmando que o caso está sob a alçada do Poder Judiciário e que a corporação continua cumprindo todas as determinações das autoridades competentes. O policial envolvido foi afastado das atividades e indiciado pela morte do mecânico em julho de 2025, aguardando agora o desfecho do processo judicial.
Enquanto isso, a defesa da família da vítima vê a reabertura do inquérito como um passo positivo, mas aguarda uma decisão final do Conselho de Sentença. O caso destaca questões mais amplas sobre responsabilidade policial e os protocolos de ação em situações de fuga, mantendo a atenção pública voltada para a busca por justiça.