Julgamento de PMs por morte de adolescente na Cidade de Deus mobiliza familiares no Rio
Julgamento de PMs por morte de adolescente no Rio mobiliza familiares

Julgamento de PMs por morte de adolescente na Cidade de Deus mobiliza familiares no Rio

Parentes e amigos do estudante Thiago Menezes Flausino, de 13 anos, assassinado a tiros durante uma operação na Cidade de Deus, Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, em 2023, realizaram uma manifestação na manhã desta terça-feira (10) em frente ao Tribunal de Justiça do estado. O ato ocorreu antes do início do júri popular que julgará dois policiais militares acusados pela morte do menor.

Priscilla Menezes, mãe de Thiago, expressou sua confiança na verdade sobre o caráter do filho. "Eu estou muito confiante na verdade — na verdade de quem o Thiago era. Um menino estudioso, participativo na escola e no futebol. Era amado, querido por todos pelo jeito dele. Thiago era alegre, sempre sorridente. Eu nunca imaginei perder meu filho de uma forma tão covarde", declarou. Ela completou: "Por isso, eu espero que esses policiais sejam responsabilizados, que sejam condenados, e que eu possa sair de lá com a resposta da Justiça".

Acusações e detalhes do caso

Os policiais militares do Batalhão de Choque Diego Pereira Leal e Aslan Wagner Ribeiro de Faria são acusados de homicídio e fraude processual. Eles admitiram os disparos que mataram o jovem, alegando que Thiago portava uma arma e teria disparado contra eles durante uma operação ilegal, denominada Tróia, na comunidade.

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No entanto, a família e outras testemunhas contestam essa versão, afirmando que não havia confronto no local e que Thiago foi executado por um policial quando já estava caído no chão, de costas. Durante a investigação, ficou comprovado que o adolescente levou três tiros:

  • Um na parte traseira da perna
  • Um nas costas
  • Outro que perfurou as duas canelas

Segundo o laudo de exame de local do homicídio, não há qualquer vestígio que sugira que Thiago disparou contra os agentes. Além disso, nem Thiago nem o condutor da moto, que sobreviveu, tinham ficha criminal ou envolvimento com o tráfico, conforme apurou a investigação.

Adiamento e revolta

Inicialmente previsto para o dia 27 de janeiro, o julgamento foi adiado após divergências envolvendo uma prova apresentada pela Defensoria Pública do Rio. O adiamento gerou revolta entre parentes e amigos de Thiago, com a mãe do adolescente chegando a desmaiar durante os protestos.

Os dois policiais que vão a júri por homicídio ainda respondem por fraude processual. A investigação aponta que os PMs manipularam a cena do crime e plantaram uma pistola 9 milímetros próximo de Thiago para sustentar a versão de confronto. O julgamento da fraude processual será realizado na auditoria da Justiça Militar.

Além de Diego e Aslan, respondem os também cabos Silvio Gomes Santos e Roni Cordeiro de Lima, além do capitão Diego Geraldo Rocha de Souza. Silvio e Roni também foram denunciados pelo Ministério Público do Rio de Janeiro pelo homicídio de Thiago, mas a juíza Elizabeth Machado Louro entendeu que não havia indícios de autoria suficientes e não os levou a júri popular.

A defesa de um dos PMs, Diego Pereira Leal, sustentou durante o processo que Thiago Flausino era integrante do tráfico da Cidade de Deus, apresentando conversas que seriam do adolescente citando uma das lideranças do crime local, conhecido como Biel. No entanto, essas alegações são contestadas pelas evidências coletadas na investigação.

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