TJRJ inicia júri popular de PMs acusados de matar adolescente de 13 anos na Cidade de Deus
O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) deu início, nesta terça-feira, 10 de fevereiro de 2026, ao júri popular dos policiais militares Diego Pereira Leal e Aslan Wagner Ribeiro de Faria. Eles estão acusados pelo homicídio do estudante Thiago Menezes Flausino, que tinha apenas 13 anos quando foi morto em 2023, durante uma operação na comunidade da Cidade de Deus, na zona oeste do Rio.
O julgamento, originalmente agendado para janeiro, foi adiado devido a questões processuais, o que gerou indignação e revolta na família da vítima. A mãe de Thiago, em protesto em frente ao tribunal, clamou por justiça, enquanto o plenário refletia a polarização intensa do caso.
Polarização e tensão no tribunal
De um lado, familiares dos policiais e ativistas de causas corporativas se reuniram em apoio aos acusados. Do outro, a família de Thiago e movimentos sociais contra a violência policial se fizeram presentes, vestindo camisas com a frase “Thiago vive em mim”, em um ato simbólico de memória e resistência. A atmosfera no tribunal foi carregada de emoção, destacando as divisões profundas que o caso provoca na sociedade carioca.
Inconsistências nas alegações de legítima defesa
Os policiais militares alegam ter agido em legítima defesa, sustentando que o adolescente atirou contra eles durante a operação. No entanto, o Ministério Público aponta contradições significativas na versão apresentada pelos acusados. Inicialmente, os agentes afirmaram estar em uma viatura com sirene, mas posteriormente admitiram usar um carro particular em uma operação ilegal, conhecida como “Tróia”.
Laudos periciais realizados no local do crime não encontraram vestígios que comprovem a ocorrência de um confronto, como resíduos de pólvora ou outros indícios balísticos. A acusação sustenta ainda que uma arma pode ter sido plantada na cena para justificar a ação dos PMs, levantando sérias dúvidas sobre a narrativa de legítima defesa.
Acusações e investigações detalhadas
Diego Pereira Leal e Aslan Wagner Ribeiro de Faria respondem por homicídio doloso e fraude processual, acusados de manipular a cena do crime para encobrir o ocorrido. A investigação concluiu que Thiago foi atingido por três tiros, incluindo um nas costas, o que sugere uma ação violenta e desproporcional. O adolescente não tinha passagem criminal, reforçando a alegação de que era uma vítima inocente.
Além dos dois PMs, outros três policiais militares, incluindo um capitão, também são réus no processo, mas por fraude processual. O julgamento referente a essa acusação ocorrerá na Justiça Militar, separadamente, enquanto o destino dos acusados pelo homicídio começa a ser decidido pelo júri popular no TJRJ.
Este caso emblemático ressalta as tensões entre segurança pública e direitos humanos no Rio de Janeiro, com o júri popular sendo um momento crucial para a busca de justiça e transparência. A sociedade aguarda ansiosamente o desfecho, que pode ter implicações significativas para futuros casos de violência policial na região.



