Quatro PMs viram réus por assassinato de empresário em Mairinque; júri começa nesta quinta
Júri de PMs acusados de matar empresário em Mairinque começa

Júri de PMs acusados de assassinato de empresário em Mairinque começa nesta quinta-feira

O júri popular dos quatro policiais militares acusados de matar o empresário Reinaldo Magalhães a tiros, em fevereiro de 2021, em Mairinque (SP), será realizado a partir das 9h desta quinta-feira (4). O processo, que já havia sido adiado duas vezes em 2025, marca um capítulo crucial na investigação deste caso que chocou a região.

Detalhes do julgamento e acusações

Estão previstas as oitivas de duas testemunhas de acusação, duas comuns às partes e quatro de defesa, além dos interrogatórios dos quatro réus. Não há previsão de horário para o término do julgamento. Segundo o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), os policiais são acusados de homicídio qualificado por utilizarem recursos que impossibilitaram a defesa da vítima.

A vítima, de 55 anos, era dono de uma marina na cidade. O caso aconteceu na casa da família, na beira da Represa de Itupararanga. Além disso, cinco PMs já foram condenados em segunda instância, na Justiça Militar, por torturarem a esposa do empresário e invasão de domicílio, cabendo recurso.

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Versão oficial dos policiais

No boletim registrado pelos PMs do Batalhão de Ações Especiais da Polícia Militar (Baep), o empresário dirigia um carro blindado em uma estrada de terra perto da represa de Itupararanga, quando teria saído do veículo e atirado contra três policiais. Eles iriam verificar uma denúncia de tráfico de drogas, com informações de que um carro branco estaria transportando armas e drogas – a mesma cor do carro do empresário, que foi atingido por dois tiros de fuzil.

Reinaldo foi socorrido e morreu horas depois no pronto-socorro de Mairinque, levantando questões sobre a conduta policial durante a operação.

Versão da família e testemunhas

De acordo com familiares e amigos de Reinaldo, um homem pediu para falar com ele no portão e, como a distância da casa até a entrada é grande, o empresário teria feito o caminho com o carro blindado. Ele teria aberto o portão para ver quem estava chamando, no entanto, cinco pessoas invadiram o local.

Reinaldo, então, teria entrado no carro para se proteger, mas foi abordado pelo grupo, que acabou atirando contra o empresário. Em seguida, as pessoas desceram em direção à casa. Em um áudio enviado em um grupo de vizinhos e amigos, a filha de Reinaldo afirma que homens entraram na propriedade e apontaram armas para as cabeças de todos que estavam no local, pedindo por ajuda.

A esposa do empresário afirmou, em depoimento, que os homens armados exigiam o pagamento da negociação de um carro. Em um outro áudio, um amigo de Reinaldo diz que o grupo agrediu a mulher, ameaçando-a de morte caso não pagasse o valor do veículo, reforçando as alegações de abuso.

Este julgamento representa um momento decisivo para a justiça em Mairinque, com o júri popular avaliando as evidências e testemunhos para determinar a responsabilidade dos acusados no trágico episódio.

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