Corregedoria acusa PMs de execução, mas júri absolve policiais em caso de Guarujá
Júri absolve PMs acusados de execução em Guarujá

Corregedoria da PM acusa agentes de execução, mas júri absolve policiais em Guarujá

Três policiais militares acusados pela Corregedoria da Polícia Militar de executar um suspeito desarmado e já dominado em Guarujá, no litoral de São Paulo, foram absolvidos pelo Tribunal do Júri. Os agentes Diego Nascimento de Sousa, Israel Morais Pereira de Souza e Paulo Ricardo da Silva enfrentaram o julgamento após um processo que se arrastou por mais de um ano, mas a acusação, representada pelo Ministério Público de São Paulo, pediu a absolvição, sustentando que os policiais agiram em legítima defesa.

Detalhes do caso e investigação da Corregedoria

O incidente ocorreu em 15 de junho de 2022, quando os PMs atenderam uma ocorrência de invasão e roubo a uma residência em Bertioga, São Paulo. Durante a perseguição aos suspeitos, Kaique de Souza Passos, de 24 anos, foi morto e seu comparsa ficou ferido por tiros. Inicialmente, o MP-SP arquivou o processo, considerando a ação dos policiais como legítima defesa. No entanto, a Corregedoria da PM revisou o caso, analisando gravações de câmeras corporais dos agentes e ouvindo testemunhas, e concluiu que se tratou de uma execução.

Segundo as investigações da Corregedoria, o suspeito Kaique estava desarmado e já havia sido dominado pelos policiais quando foi atingido por sete tiros. Um dos agentes, que estava filmando a ação, colocou a mão na lente da câmera corporal, o que levantou suspeitas sobre a transparência do procedimento. Os policiais ficaram presos por mais de um ano, mas respondiam ao processo em liberdade desde o final de 2023.

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Julgamento no Tribunal do Júri e decisão de absolvição

O julgamento dos três PMs ocorreu nesta quarta-feira (25), no Fórum de Guarujá. A previsão era de que o processo se estendesse até sexta-feira (27), mas as equipes de defesa e acusação obtiveram autorização do juiz para dispensar os depoimentos de 16 testemunhas. Durante a sessão, os policiais foram interrogados, e tanto o promotor de Justiça quanto os advogados dos agentes pediram a absolvição, enfatizando a alegação de legítima defesa.

A maioria dos jurados concordou que há provas suficientes da autoria dos policiais, mas acatou o argumento de legítima defesa apresentado pela defesa e pela acusação. Por volta das 13h20 de quarta-feira, o júri popular terminou com a absolvição dos três acusados, restaurando sua liberdade plena após um período de intensa exposição pública.

Posição das defesas e reações ao veredicto

Em nota enviada à imprensa, o advogado Émerson Lima Tauyl, que representa os cabos Paulo e Israel, afirmou que a decisão dos jurados reconhece o que a defesa sustentou desde o início do processo. "Ao longo da instrução criminal, restou demonstrado que as imputações formuladas não encontravam respaldo sólido no conjunto probatório", disse Tauyl, destacando que o resultado reafirma a confiança na Justiça e a análise responsável e imparcial dos jurados.

O advogado Alex Ochsendorf, representante do policial Diego, ressaltou que as provas produzidas em plenário demonstraram a ausência de responsabilidade penal do acusado. "Essa defesa técnica reitera seu respeito ao Tribunal do Júri e destaca que a decisão proferida reflete a soberania dos veredictos", afirmou Ochsendorf, enfatizando o compromisso do sistema de justiça com a verdade dos fatos.

O caso continua a gerar debates sobre o uso da força por agentes de segurança e a eficácia das investigações internas, como as conduzidas pela Corregedoria da PM, que inicialmente apontaram para uma execução, mas não foram suficientes para convencer o júri popular.

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