A Polícia Militar do Rio de Janeiro anunciou a demissão do capitão Alessander Ribeiro Estrella Rosa, após uma investigação conduzida pela Corregedoria da corporação. O oficial foi afastado por suspeitas de envolvimento com um grupo de extermínio associado ao Jogo do Bicho, um caso que tem gerado ampla repercussão no estado.
Decisão da alta cúpula da PM
A decisão de demitir o capitão foi referendada pelo secretário de Polícia Militar, coronel Marcelo de Menezes, e será submetida ao governador Cláudio Castro para análise final. Somente após essa etapa, será determinado se Estrella Rosa será expulso definitivamente da corporação ou se outras medidas serão aplicadas.
O processo de demissão, conhecido como ex officio, implica no desligamento imediato do oficial da ativa, sem direito a retorno. Em comunicado nas redes sociais, a PM justificou a ação com base em um processo disciplinar instaurado após as acusações que levaram à prisão do capitão em 2025.
Áudio polêmico e investigações em andamento
Recentemente, o caso ganhou novos contornos com o vazamento de um áudio atribuído a Estrella Rosa, no qual ele supostamente negocia com traficantes do Comando Vermelho a retirada de barricadas em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Esse episódio resultou em seu afastamento temporário no final de semana passado.
As suspeitas sobre o capitão já haviam sido encaminhadas ao Ministério Público Federal (MPF) e ao Ministério Público do Rio (MPRJ) por meio de uma denúncia anônima. Atualmente, o MP estadual trata o caso como sigiloso e o encaminhou para a Assessoria de Atribuição Originária Criminal, órgão que presta apoio ao procurador-geral de Justiça em procedimentos envolvendo autoridades.
Homenagens anteriores e contradições
Curiosamente, em 2023 e 2024, o capitão Alessander foi homenageado em diversas instâncias, incluindo a Câmara Federal, o Governo do Rio e a Câmara Municipal, através do vereador Felipe Michel. Essas honrarias contrastam fortemente com as acusações atuais, levantando questões sobre os critérios de avaliação dentro da corporação.
A PM enfatizou em seu posicionamento que o Comando da Corporação entendeu que o referido policial não se enquadra nos critérios técnicos de comportamento e conduta necessários para a permanência nos quadros da SEPM. A demissão reflete um esforço da instituição em manter a integridade e a confiança pública, diante de alegações graves de corrupção e violência.