MPF atua para garantir ressarcimento a aposentados após irregularidades no Banco Master
O Ministério Público Federal (MPF) expediu duas recomendações formais solicitando providências urgentes para assegurar o ressarcimento de valores a aposentados e pensionistas prejudicados por descontos irregulares de crédito consignado do Banco Master. A medida foi tomada após o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) reconhecer a invalidade de milhares de contratos firmados com a instituição financeira.
Estimativas apontam para cerca de 250 mil contratos com indícios de fraude
De acordo com dados oficiais e estimativas levantadas pelas autoridades, aproximadamente 250 mil contratos de crédito consignado do Banco Master apresentam sinais claros de irregularidade ou fraude. Na semana passada, o presidente do INSS, Gilberto Waller Junior, estabeleceu um prazo rigoroso: o Banco Master teria até a primeira semana de fevereiro para comprovar a legalidade desses contratos e dos descontos realizados, sob pena de terem sua validade completamente anulada.
A orientação inicial do presidente do INSS aos consumidores lesados era que cada um, individualmente, solicitasse a inclusão dos recursos devidos junto à autoridade liquidante responsável pelo processo de falência ou liquidação do banco. No entanto, diante da inviabilidade prática de todos os milhares de aposentados e pensionistas afetados realizarem esse pedido de forma isolada, o MPF decidiu intervir com uma recomendação mais abrangente.
Recomendações do MPF visam agilizar o processo de restituição
O Ministério Público Federal recomendou expressamente que o INSS solicite, junto à autoridade liquidante do Banco Master, a habilitação dos créditos extraconcursais. Além disso, o órgão pede que as autoridades responsáveis pela liquidação reconheçam a dívida e reservem valores específicos para que a devolução aos aposentados e pensionistas seja realizada de forma prioritária, garantindo que esses recursos não se esgotem antes do pagamento.
Em trecho destacado das recomendações, o MPF argumenta: “Diante da alta probabilidade de insuficiência de recursos das instituições em liquidação, bem como da necessidade de garantir a devolução de recursos subtraídos ilicitamente dos consumidores afetados pela contratação indevida de empréstimos consignados e de cartões consignados de crédito, deve-se garantir que, no quadro geral de credores, o montante destinado a eventuais restituições seja preservado antes da exaustão do ativo (reserva de valores)”.
Prazo para resposta das autoridades é de dez dias
O INSS e as autoridades responsáveis pela liquidação do Banco Master têm um prazo de dez dias para responder formalmente ao MPF sobre o acolhimento ou não das recomendações expedidas. A expectativa é que as medidas acelerem o processo de restituição, beneficiando diretamente os idosos e pensionistas que tiveram seus rendimentos comprometidos por práticas consideradas fraudulentas.
Este caso reforça a importância da fiscalização contínua sobre operações de crédito consignado, especialmente quando envolvem instituições financeiras em situação delicada. A proteção aos consumidores, em especial aos aposentados, permanece como uma prioridade para os órgãos de controle e justiça no Brasil.



