Casal vai a júri em 2026 por envenenar 10 pessoas no Piauí; 8 morreram
Casal acusado de envenenar 10 pessoas vai a júri em 2026

Um casal da cidade de Parnaíba, no litoral do Piauí, enfrentará um júri popular em 2026, acusado de envenenar dez pessoas, sendo que oito delas morreram. Francisco de Assis Pereira de Costa e Maria dos Aflitos da Silva estão presos desde janeiro de 2025 e foram denunciados pelo Ministério Público por uma série de homicídios qualificados e tentativas de homicídio.

Cronologia de uma tragédia familiar

Os crimes ocorreram entre agosto de 2024 e janeiro de 2025, marcando uma sequência de mortes que inicialmente pareciam desconectadas. A tragédia começou com duas crianças. Em 23 de agosto de 2024, os irmãos Ulisses Gabriel da Silva, de 8 anos, e João Miguel da Silva, de 7, foram internados com suspeita de envenenamento após beber suco. João faleceu dias depois, e Ulisses, após longa internação no Hospital de Urgência de Teresina (HUT), veio a óbito em novembro do mesmo ano.

Inicialmente, a vizinha Lucélia Maria da Conceição foi presa como principal suspeita. No entanto, após cinco meses na cadeia, laudos periciais descartaram a presença de veneno nos cajus consumidos pelas crianças, e a Justiça a inocentou em outubro de 2025.

O almoço fatal e a morte da ex-nora

O caso tomou um rumo ainda mais sombrio no Dia de Ano Novo de 2025. Nove pessoas comeram um arroz contaminado com terbufós, um agrotóxico altamente tóxico semelhante ao chumbinho, durante um almoço em família. Cinco integrantes da família não resistiram: Francisca Maria Silva (32 anos), Manoel Leandro da Silva (18), Maria Gabriele da Silva (4), Maria Lauane da Silva (3) e Igno Davi da Silva, de apenas 1 ano de idade.

Francisco de Assis, que também consumiu o arroz e foi hospitalizado, tornou-se suspeito após apresentar versões contraditórias à polícia. Sua prisão ocorreu logo após receber alta médica.

Em 20 de janeiro de 2025, uma nova vítima fatal surgiu. Maria Jocilene da Silva, vizinha e ex-nora de Maria dos Aflitos, morreu após beber café na casa da matriarca. Curiosamente, Jocilene havia sobrevivido ao arroz envenenado do dia 1º. Seu filho de 11 anos, também intoxicado na primeira ocasião, sobreviveu.

Confissão, indiciamento e caminho até o júri

A prisão de Maria dos Aflitos aconteceu em 31 de janeiro de 2025. Durante os interrogatórios, ela confessou à polícia ter envenenado o café de Maria Jocilene. Segundo seu depoimento, o objetivo seria livrar o marido das acusações, fazendo crer que a ex-nora era a culpada pelos crimes anteriores.

Em março de 2025, a Polícia Civil indiciou o casal por 23 crimes, incluindo as mortes de sete familiares e da ex-nora. O delegado Abimael Silva afirmou que os assassinatos foram premeditados por "motivos egoístas" e que ambos agiram em conjunto.

O processo seguiu com a denúncia do Ministério Público, aceita pela 1ª Vara Criminal de Parnaíba em 25 de março de 2025. Em audiência de instrução realizada em 5 de setembro de 2025, os réus mantiveram a inocência, atribuindo as mortes à já falecida Maria Jocilene. O juiz Willmann Izac Ramos Santos manteve a prisão preventiva de ambos.

Finalmente, em 21 de outubro de 2025, o magistrado determinou que o caso seja submetido a um Tribunal do Júri, instância que julga crimes dolosos contra a vida. A data para o julgamento perante os jurados ainda será definida.