Anistia Internacional denuncia risco de execução de jovem iraniano nesta quarta-feira
A Anistia Internacional emitiu um alerta urgente nesta terça-feira, revelando que um jovem de 19 anos enfrenta uma ameaça iminente de execução no Irã, prevista para ocorrer na quarta-feira, dia 21 de janeiro. Amirhosein Ghaderzadeh foi detido em 9 de janeiro, após sua participação em protestos antigovernamentais na cidade de Rasht, localizada na província de Gilan.
Detalhes chocantes da detenção e violência sexual
Em um comunicado divulgado através de suas redes sociais, a organização internacional detalhou que as autoridades iranianas devem suspender imediatamente qualquer plano de executar o jovem. Além disso, a Anistia Internacional exige o fim do uso da pena de morte como ferramenta de repressão contra manifestantes.
Segundo o relato da organização, Ghaderzadeh foi preso em sua própria residência e, juntamente com suas duas irmãs, uma delas com apenas 14 anos, foi submetido a violência sexual por agentes de segurança. Os três foram forçadamente despidos na frente de outras pessoas, enquanto os agentes revistavam seus corpos em busca de fragmentos metálicos que supostamente comprovariam a participação nos protestos.
Condenação à morte e desaparecimento forçado
O jovem teria sido identificado pelas forças de segurança devido a marcas de balas de borracha em seu corpo. Em um julgamento realizado em 17 de janeiro, ele foi condenado à morte por enforcamento, sob a acusação de traição ao país. A família recebeu a informação de que a execução está marcada para quarta-feira, 21 de janeiro.
A Anistia Internacional também afirmou que Ghaderzadeh está em situação de desaparecimento forçado desde sua prisão. A organização cobra das autoridades a divulgação imediata de seu paradeiro, além de proteção contra novas torturas, maus-tratos e a garantia de acesso a atendimento médico adequado.
Contexto dos protestos e pressão internacional
A organização fez um apelo para que países membros da Organização das Nações Unidas pressionem com urgência Teerã a suspender todas as execuções e pôr fim à repressão violenta contra os protestos. Segundo a ONG, a dimensão real dos protestos permanece ocultada por bloqueios à internet implementados pelo governo iraniano.
Na segunda-feira, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian, o chefe do Judiciário Gholamhossein Mohseni-Ejei e o presidente do Parlamento Mohammad Bagher Ghalibaf defenderam que pessoas que não tiveram papel central nos distúrbios sejam tratadas com compaixão e clemência islâmicas.
Cenário econômico e político por trás dos protestos
O Irã vive, desde 28 de dezembro, uma onda de protestos que começou em Teerã, liderada por comerciantes e trabalhadores afetados pelo colapso do rial e pela inflação elevada. As manifestações se espalharam para mais de 100 cidades em todo o país.
A inflação anual supera os 42%, e ao longo de 2025, a moeda iraniana perdeu cerca de 69% de seu valor frente ao dólar. Essa crise econômica ocorre em meio aos efeitos das sanções impostas pelos Estados Unidos e pela ONU devido ao programa nuclear iraniano.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a ameaçar o regime iraniano com uma possível intervenção militar para conter a repressão, afirmando que a ajuda estava a caminho. Posteriormente, porém, ele recuou e declarou que Washington não intervirá, voltando sua atenção a outros temas da agenda internacional, como a Groenlândia.