O governo do Irã executou uma mulher de 28 anos que deu à luz ao filho enquanto estava presa pelo assassinato do marido. De acordo com informações divulgadas por organizações de direitos humanos nesta terça-feira, 26, Asma Zarei foi enforcada na semana passada, após passar três anos detida.
Embora a morte não tenha sido noticiada pela imprensa iraniana, o episódio foi confirmado por duas organizações humanitárias diferentes: a Iran Human Rights (IHR) e a Hengaw. Zarei foi executada no dia 20 de maio nos arredores de Ardabil, no noroeste do Irã.
Ela havia sido condenada a qisas, uma forma de punição prevista na lei islâmica que determina que o criminoso receba pena semelhante ao crime cometido. Zarei, segundo a investigação, teria matado o marido por meio de pílulas. Ela estava grávida no momento da prisão e deu à luz ao filho durante o cárcere. Hoje, a criança tem dois anos. Não ficou claro se ela manteve a guarda ao longo de sua detenção. Segundo a IHR, a mulher pediu, em seu testamento, que sua mãe ficasse responsável por criar o menino.
Execuções de mulheres no Irã
Trata-se da sexta mulher executada no Irã desde o início de 2026, de acordo com grupos de direitos humanos. No ano passado, ao menos 48 mulheres foram mortas pelo regime, com 21 delas sendo condenadas por assassinar seus maridos ou noivos. No entanto, organizações humanitárias afirmam que, em muitos casos, os homens mortos eram maridos abusivos.
Independentemente da intenção ou circunstância, todos aqueles acusados de “homicídio intencional” são submetidos a qisas. Uma vez que o réu é condenado, sua família é obrigada a escolher entre aceitar a morte em condições semelhantes à do crime ou pagar o diya (dinheiro de sangue), um valor determinado pelo governo. Caso a taxa não seja paga, os familiares do acusado devem comparecer à execução e, em alguns casos, participam da aplicação da pena.
No total, 747 pessoas foram condenadas à pena de morte por acusações de assassinato no Irã em 2025. O número foi o maior já registrado desde 2010, e menos de 7% das execuções de qisas registradas foram divulgadas pelas fontes oficiais de Teerã.



