Roblox e plataformas digitais reforçam verificação de idade para proteger crianças
Roblox e plataformas reforçam verificação de idade para crianças

Roblox e plataformas digitais intensificam proteção a crianças com verificação de idade

Em um movimento global para aumentar a segurança de crianças e adolescentes no ambiente digital, grandes plataformas anunciaram a implementação de sistemas de verificação de idade que utilizam selfies ou documentos de identificação. A mais recente adesão veio do Discord, aplicativo de mensagens popular entre gamers, que informou na última segunda-feira (9) que, a partir de março, todos os usuários poderão passar por essa verificação ao tentar alterar configurações de segurança ou acessar conteúdos sensíveis em canais e servidores.

Onda de medidas após pressão internacional

Essas ações estão sendo tomadas em resposta a uma crescente pressão de diversos países para restringir o acesso de menores a redes sociais. A Austrália, por exemplo, proibiu que menores de 16 anos utilizem serviços como Instagram, Facebook, TikTok e YouTube. Nos Estados Unidos, empresas como Meta (dona do Instagram e Facebook) e Google (proprietária do YouTube) enfrentam processos judiciais relacionados a danos à saúde mental de crianças, incluindo um caso pioneiro que será julgado por um júri popular sobre vício em plataformas.

No Brasil, a discussão ganhou força com denúncias sobre a atuação de aliciadores de menores no Roblox, conforme revelado pelo programa Fantástico. A plataforma afirmou que suas medidas de segurança são mais abrangentes do que as de outras empresas, mas a preocupação pública permanece alta.

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Como funcionam os sistemas de verificação

Não existe um método único para verificar a idade dos usuários, mas as plataformas estão adotando abordagens variadas. O TikTok, o ChatGPT e o YouTube utilizam inteligência artificial para analisar o comportamento de navegação e estimar a faixa etária. Já o Roblox e o Discord aplicam a verificação quando os usuários tentam acessar recursos que possam representar riscos à segurança.

Os métodos comuns incluem:

  • Selfies para estimativa de idade através de análise facial;
  • Autorização por cartão de crédito para comprovar maioridade, sem cobranças;
  • Documentos de identidade para confirmação da data de nascimento.

Empresas especializadas fornecem a tecnologia para essas verificações. O Roblox e o ChatGPT utilizam a ferramenta da americana Persona, enquanto o TikTok recorre à britânica Yoti, também usada pelo Instagram e Facebook em alguns países. O Discord adotou o mecanismo da singapurense k-ID.

Desafios e limitações das tecnologias

Apesar dos avanços, esses sistemas enfrentam desafios significativos. Um estudo australiano publicado em agosto de 2025, que analisou 48 fornecedores de serviços de verificação de idade, revelou que ferramentas como Persona e Yoti têm precisão menor ao estimar a idade de usuários mais jovens. Para crianças entre 10 e 12 anos, a margem de erro pode chegar a 3,3 anos, devido à escassez de dados para treinar IAs e às rápidas mudanças faciais na infância e adolescência.

Além disso, as empresas admitem vulnerabilidades a fraudes, como deepfakes, que se tornaram cada vez mais sofisticados e podem burlar verificações por selfie. A Persona orienta que os processos incluam múltiplas camadas de checagem para mitigar esses riscos.

Contexto brasileiro e o ECA Digital

No Brasil, a verificação de idade ganhou suporte legal com o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), que entrará em vigor em março. A legislação exige que plataformas com conteúdo impróprio para menores de 16 anos implementem mecanismos de confirmação etária, equilibrando precisão e proteção da privacidade dos dados.

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Segundo Laís Peretto, diretora-executiva da Childhood Brasil, as plataformas estão tentando antecipar regulações que já estão em curso. "Mesmo que não seja perfeito, com certeza vamos melhorar muito. É um trabalho em andamento", afirmou, destacando a importância de uma rede de proteção que envolva governo, empresas, sociedade civil e, principalmente, pais e responsáveis.

Papel dos pais e responsáveis

Peretto enfatiza que a segurança digital de crianças e adolescentes depende também de ações diretas das famílias. "Os pais têm que usar todas as ferramentas de controle parental possíveis, monitorar o que os filhos estão acessando e manter um canal de diálogo aberto", disse. Essa abordagem é crucial para que menores saibam buscar ajuda em situações de risco, como aliciamento ou exposição a conteúdos inadequados.

À medida que as plataformas evoluem suas medidas, a expectativa é que as leis e tecnologias sejam revisadas frequentemente para acompanhar os desafios do ambiente digital. A proteção de crianças e adolescentes online requer esforços contínuos e colaborativos, visando um espaço mais seguro para as gerações futuras.