Pix ganha reforço na segurança com novas regras para combater fraudes financeiras
O sistema de pagamentos instantâneos Pix, administrado pelo Banco Central do Brasil, passou por uma significativa atualização em suas regras de segurança. As mudanças, que entraram em vigor recentemente, têm como principal objetivo fortalecer o combate a fraudes e golpes, facilitando a identificação de contas envolvidas em atividades ilícitas e agilizando a devolução de valores às vítimas.
MED 2.0: a evolução do mecanismo de devolução do Pix
A principal novidade é a implementação da segunda versão do Mecanismo Especial de Devolução, conhecido como MED 2.0. Este mecanismo representa um avanço crucial na proteção dos usuários, pois agora permite o rastreamento do dinheiro para além da primeira conta que recebe os recursos fraudulentos. Anteriormente, a atuação do MED era limitada ao bloqueio e devolução apenas nessa conta inicial, o que muitas vezes dificultava a recuperação integral dos valores subtraídos.
Com o MED 2.0, o sistema ganha uma capacidade ampliada de investigação, identificando todas as contas envolvidas na cadeia de transferências fraudulentas. Isso não só aumenta as chances de recuperação do dinheiro, como também eleva o custo para os fraudadores realizarem seus crimes, desincentivando práticas ilícitas no ambiente digital.
Impacto e estatísticas do novo sistema de segurança
Os números revelam a importância dessas medidas: em 2025, o mecanismo anterior recuperou em média 9,3% do valor contestado pelas vítimas de fraude. Com as novas capacidades do MED 2.0, espera-se que esse percentual aumente significativamente, oferecendo maior proteção aos mais de 170 milhões de brasileiros que já utilizaram o Pix – o que corresponde a aproximadamente 80% da população do país.
Desde seu lançamento em novembro de 2020, o Pix se consolidou como o principal meio de pagamento do Brasil, sendo um sistema público e gratuito que revolucionou as transações financeiras no país. Justamente por sua ampla adoção, torna-se fundamental o constante aprimoramento de suas medidas de segurança.
Como funciona o "botão de contestação" online
Outra ferramenta importante que integra o novo sistema é o chamado "botão de contestação", disponível nas instituições financeiras desde 1º de outubro de 2025. Esta funcionalidade, integrada ao MED, deve ser utilizada especificamente em casos de fraude, golpe ou coerção, permitindo que as vítimas iniciem o processo de devolução diretamente pelo aplicativo de sua instituição financeira, de forma totalmente online.
É importante destacar que o botão de contestação não se aplica a situações como desacordos comerciais, arrependimento de compra ou erros no envio do Pix digitados pelo próprio usuário. Seu uso é restrito aos casos comprovados de atividades fraudulentas ou coercitivas, mantendo o equilíbrio entre proteção ao consumidor e segurança jurídica das transações legítimas.
Critérios para acionamento do mecanismo de devolução
O MED deve ser acionado apenas em três situações específicas: casos de fraude comprovada, suspeita fundamentada de fraude ou erro operacional das próprias instituições financeiras. Transferências realizadas por engano pelo usuário, onde não há má-fé de terceiros, não se enquadram nos critérios do mecanismo, preservando assim a finalidade original da ferramenta como instrumento de combate à criminalidade financeira.
As novas regras representam um marco na evolução da segurança digital no Brasil, demonstrando o compromisso do Banco Central em acompanhar o crescimento do Pix com medidas protetivas adequadas à sua escala e importância na economia nacional.