A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) anunciou, nesta quarta-feira (20), o afastamento de mais um estudante suspeito de envolvimento na criação e divulgação de uma suposta lista que classificava alunas como “estupráveis”, no campus de Cuiabá. A medida ocorre após denúncias de incitação à violência contra mulheres na instituição. O aluno afastado é do curso de Engenharia Civil.
Investigação e ameaças
Segundo a Polícia Civil, o estudante é filho de um policial federal que, na última semana, teria ido até a universidade e intimidado colegas envolvidos nas denúncias. O policial alega que o filho estaria sendo ameaçado por outros estudantes, justificando sua presença no campus. A polícia informou que ele foi intimado para prestar depoimento, mas ainda não compareceu à delegacia.
No dia 6 de maio, um estudante do curso de Direito também foi afastado por suspeita de participação no mesmo caso. Imagens das câmeras de segurança da UFMT mostram o suspeito mais recente caminhando pelos corredores com uma mochila, boné preto e um objeto na cintura semelhante a uma pasta.
Repercussão e medidas
A delegada Liliane Diogo, titular da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher (DEDM) e responsável pelo caso, recebeu a documentação enviada pela UFMT na última segunda-feira (11) e instaurou procedimento investigativo. A UFMT mantém aulas remotas por tempo indeterminado após alunos que denunciaram a lista terem sido intimidados.
O caso veio a público no início de maio, quando mensagens divulgadas em redes sociais revelaram um “ranking de alunas mais estupráveis” dos cursos da universidade. Áudios que circulam em grupos de mensagens reforçam a conduta investigada. O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) deu prazo de cinco dias para a UFMT informar as medidas internas adotadas.
Protestos e segurança
Estudantes realizaram protestos contra o ocorrido, e a situação gerou preocupação entre familiares quanto à segurança no campus. O diretor da Faculdade de Arquitetura, Engenharia e Tecnologia (Faet), Roberto Barbosa Silva, acompanhou os estudantes até a delegacia após as ameaças. O MPMT determinou que o Centro Acadêmico de Direito (CADI) e o Diretório Central dos Estudantes (DCE) encaminhem todas as provas e documentos sobre o caso no mesmo prazo.



