Violência contra motoboys no Rio: três assassinatos em uma semana geram protestos
O Rio de Janeiro registrou uma onda de violência contra motoboys, com três assassinatos em apenas uma semana, desencadeando protestos e reuniões com autoridades. As vítimas, todas trabalhadores da categoria, foram abordadas durante entregas, evidenciando um padrão alarmante de crimes que tem mobilizado a comunidade e levantado questões sobre segurança pública.
Detalhes dos casos recentes
Bruno Barbosa dos Santos, de 24 anos, foi a vítima mais recente, morto na terça-feira (27) à noite em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Imagens do incidente mostram bandidos dando meia-volta para abordá-lo, com um tiro no rosto resultando em sua morte antes da fuga dos criminosos. No início da semana, Paulo Vitor de Souza, de 22 anos, foi assassinado no domingo (25) à noite na Zona Oeste do Rio enquanto entregava pizzas, após múltiplos tiros. Quase na mesma dinâmica, Marcelo Júlio da Silva, de 52 anos, foi abordado durante uma entrega na Zona Norte, tentou fugir correndo, mas foi atingido nas costas.
Protestos e reivindicações da categoria
Na quarta-feira (28), protestos tomaram as ruas da capital, com concentração em frente ao Palácio Guanabara, sede do governo estadual, enquanto representantes dos motoboys se reuniram na Assembleia Legislativa com a Comissão de Segurança Pública. Durante um protesto perto do local do crime de Bruno, amigos exibiram seu capacete, e o motoboy Sanderson Silva expressou a angústia da categoria: “Como que a gente sai sem medo para trabalhar? Me explica. Todo dia estão matando um de nós, irmão”.
Análise policial e mercado clandestino
A Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos do Rio estima que as motos correspondem à metade dos veículos roubados no estado. Investigadores não identificaram um motivo único para esse fenômeno, que, segundo a polícia, não é novo. Entretanto, motoboys acreditam que o mercado clandestino de peças roubadas alimenta a violência. Alan dos Santos Rocha, experiente na profissão, destacou as peças mais visadas e fez um apelo: “Se você for comprar uma peça da sua moto, procure ver uma autopeça de moto que seja credenciada, com CNPJ, tudo direitinho, que assim você não vai aumentar a criminalidade, não vai aumentar o roubo e o furto”.
Impacto e contexto
Esses casos refletem uma crise de segurança que afeta diretamente trabalhadores essenciais, com a dinâmica dos crimes sugerindo uma possível conexão com o roubo de motos para peças. A situação tem gerado comoção pública e pressionado por ações mais efetivas das autoridades para proteger a categoria e combater a criminalidade urbana.