Sobrevivente de chacina em padaria de Ribeirão das Neves narra cena de horror e súplica pela vida
Pela primeira vez, uma sobrevivente da violenta chacina que resultou na morte de duas adolescentes e uma mulher em uma padaria de Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, no dia 4 de fevereiro, decidiu compartilhar seu relato angustiante. Ana Júlia Fernandes, que trabalhava no estabelecimento do pai, descreveu o momento em que implorou para que o atirador não a baleasse, seguido por uma fuga desesperada para se esconder.
Encontro frente a frente com o assassino
"Ele veio atrás de mim e eu implorei. Falei com ele, moço, pelo amor de Deus, eu não, eu não e abaixei. Aí ele, eu não sei se ele tentou atirar, não sei se não tinha bala", contou Ana Júlia, emocionada. A jovem estava presente quando Magno Ribeiro da Silva invadiu a padaria e iniciou os disparos, colocando-a em uma situação de confronto direto com o criminoso.
Tragicamente, sua irmã, Emanuely Geovanna Rodrigues Seabra, de apenas 14 anos, também se encontrava no local e foi uma das vítimas fatais do ataque. "Quando ele atirou na minha irmã, eu estava à frente dele e ele com a arma assim. Aí ele olhou para mim e eu fui diretamente para o balcão", explicou Ana, detalhando a sequência de eventos que a levou a buscar refúgio.
Indiciamento por feminicídios e perfil do suspeito
Nesta segunda-feira, 9 de fevereiro, a polícia concluiu o inquérito e indiciou Magno Ribeiro da Silva por três feminicídios e uma tentativa de feminicídio. A investigação apontou que o suspeito assassinou duas funcionárias e uma cliente, além de ter disparado contra outra mulher. O relatório policial destacou que Magno demonstrava dificuldades em lidar com rejeições e possuía um histórico de ameaças e perseguições contra mulheres.
Detalhes do crime e vítimas
O caso ocorreu no início de fevereiro, quando três pessoas perderam a vida após serem atingidas por tiros dentro da padaria. De acordo com a Polícia Militar, o atirador utilizava touca e capacete durante o crime, o que dificultou sua identificação inicial. As vítimas foram:
- Ione Ferreira Costa, 56 anos, cliente da padaria, assassinada com dois tiros nas costas.
- Emanuely Geovanna Rodrigues Seabra, 14 anos, filha do dono do estabelecimento e irmã de Ana Júlia.
- Nathielly Kamilly Fernandes Faria, 16 anos, funcionária da padaria.
Inicialmente, a polícia chegou a apreender um adolescente que era namorado de uma das vítimas, mas, após análises mais aprofundadas, concluiu que ele não tinha qualquer participação na chacina, descartando sua envolvência.
Contexto e repercussões
Este trágico episódio chocou a comunidade de Ribeirão das Neves e levantou debates sobre violência de gênero e segurança pública. O indiciamento de Magno Silva reforça a gravidade dos crimes, classificados como feminicídios, que envolvem assassinato de mulheres por razões de gênero. As autoridades continuam a investigar possíveis motivações e antecedentes do suspeito, enquanto as famílias das vítimas buscam justiça e apoio para superar a perda.
