Suspeito de perseguir ex-colega há 10 anos é preso em Teresina
Preso suspeito de perseguir ex-colega por 10 anos em Teresina

Um homem identificado como J. da S. N. foi preso na noite de terça-feira (19), no bairro Lourival Parente, Zona Sul de Teresina, suspeito de perseguir e ameaçar uma ex-colega de trabalho por quase 10 anos. A vítima, uma auxiliar de escritório de 33 anos, afirmou se sentir aliviada após a prisão. “Vou voltar para a minha rotina de antes sem medo dele aparecer. É uma sensação muito boa”, declarou.

Desde 2021, o crime de perseguição (stalking) está previsto no artigo 147-A do Código Penal, com pena de seis meses a dois anos de prisão, além de multa, podendo ser aumentada quando a vítima é mulher. Segundo a vítima, já foram registrados 24 boletins de ocorrência contra o homem.

Histórico de perseguição

Em entrevista, a auxiliar contou que a perseguição começou em 2016, quando passou a trabalhar na mesma empresa que o suspeito. Em 2017, a situação se intensificou: ele chutava objetos e chegou a ameaçá-la de morte dentro da empresa, sendo demitido em seguida. “Ele criou mais raiva de mim e vem me perseguindo até hoje”, disse.

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Mesmo após a demissão, o homem continuou com as perseguições. A vítima passou a frequentar delegacias para registrar os casos e buscou proteção. Ela gravou vídeos quando o suspeito aparecia no trabalho ou a seguia na rua. Em um registro de novembro de 2024, ele se aproxima e diz: “bom te ver depois de tanto tempo”. Em outra ocasião, ela foi seguida ao sair de uma farmácia, mas não recebeu atendimento policial no momento.

Casos recentes

No dia 6 de novembro, a vítima saía do trabalho por volta das 17h42 quando foi abordada pelo suspeito na Zona Sul. Ele se aproximou por trás e sacudiu a moto em que ela estava. Na terça-feira (12), o suspeito enviou uma mensagem a uma prima da vítima com a frase: “ela vai morrer”. O caso foi registrado como ameaça.

Prisão e medidas legais

J. da S. N. foi preso pela Polícia Militar do Piauí (PMPI) e já havia sido detido em 2025 por descumprir uma medida protetiva que o impedia de se aproximar da vítima. Durante a abordagem, o celular do suspeito foi apreendido. Ele foi levado à Central de Flagrantes, prestou depoimento e permanece à disposição da Justiça, aguardando audiência de custódia.

Entre 2019 e julho de 2025, foram abertos pelo menos oito processos relacionados ao caso. Parte foi arquivada, e ao menos um segue em tramitação. O Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI), por meio do Núcleo de Atendimento às Vítimas (Navi), passou a adotar medidas de acolhimento, escuta qualificada e acompanhamento psicossocial da vítima.

O Navi realizou atendimento virtual, com orientações jurídicas e encaminhamento para acompanhamento psicológico especializado. Também foram comunicadas as promotorias responsáveis e feitos levantamentos dos processos existentes. O MPPI reafirmou seu compromisso com a proteção das vítimas e o enfrentamento à violência psicológica e à perseguição reiterada.

A vítima espera retomar a rotina. “Só quero paz agora. Quero voltar à minha rotina, andar na rua sem medo”, completou.

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