Patroa presa por agredir doméstica grávida chega algemada a São Luís
Patroa presa por agressão a doméstica grávida chega a São Luís

A empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, presa no Piauí sob suspeita de agredir uma empregada doméstica grávida de 19 anos no Maranhão, chegou no fim da tarde desta quinta-feira (7) a São Luís. Ela desembarcou de um helicóptero da Polícia Militar do Maranhão na sede da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP-MA). Nas imagens, Carolina aparece algemada ao deixar a aeronave acompanhada por dois policiais. Segundo a Polícia Civil, a empresária foi encaminhada à sede da 21ª Delegacia de Polícia Civil do Araçagy, responsável pela investigação do caso, onde prestou depoimento.

Depoimento e alegações

Em depoimento, que durou pouco mais de uma hora, a empresária não confirmou que os áudios divulgados com supostas confissões das agressões sejam de sua autoria. Segundo a Polícia Civil, ela pediu que o material passe por perícia. A empresária afirmou que o anel que teria motivado as agressões contra a doméstica estava avaliado em R$ 5 mil. Ela também disse à polícia que está grávida de três meses e enfrenta problemas de saúde, como pressão alta e infecção urinária. Até o momento, a Polícia Civil não confirmou a gestação. Após ser ouvida, Carolina deve passar por exames de corpo de delito. De acordo com a polícia, ela deve ser encaminhada ainda nesta quinta-feira para a Central de Custódia, em São Luís, onde vai permanecer presa até a audiência de custódia, prevista para esta sexta-feira (8).

Prisão no Piauí

A Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) informou que Carolina Sthela foi presa quando tentava fugir. A empresária foi localizada após parar em um posto de gasolina no bairro São Cristóvão, perto da Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI). A defesa de Carolina nega que ela tentasse fugir. De acordo com a SSP-PI, Carolina estava hospedada na casa de um familiar na capital piauiense e era monitorada pela Polícia Civil. A mulher foi presa no momento em que abastecia o carro para fugir do estado. O delegado Yan Brayner, diretor de inteligência da Polícia Civil, afirmou que Carolina estava abastecendo o carro com o objetivo de possivelmente se evadir do Piauí. Ainda segundo o diretor, o marido e o filho de seis anos da mulher também estavam no veículo. “Existia essa possibilidade dela ter planos para o litoral do Piauí ou para pegar um avião não comercial para Manaus, mas isso precisa ser investigado com precisão pela Polícia Civil do Maranhão”, completou o delegado. A advogada Nathaly Moraes afirmou que Carolina estava no Piauí porque tem um filho de 6 anos e não tinha familiares no Maranhão com quem pudesse deixar a criança. A advogada disse ainda que a investigada não tem interesse em se omitir, vai cumprir as determinações judiciais e responder pelo que for comprovado dentro do devido processo legal.

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Policial militar preso

O policial militar Michael Bruno Lopes Santos, suspeito de participar das agressões contra a doméstica grávida, se entregou à polícia nesta quinta-feira (7). Ele teve a prisão preventiva decretada pela Justiça na investigação sobre o caso ocorrido em Paço do Lumiar, na Grande São Luís. Em depoimento, o PM negou ter agredido a vítima. Segundo a Polícia Civil, ele seria o homem citado pela empregada doméstica como um dos responsáveis pelas agressões e tortura sofridas por ela, junto com a empresária Carolina Sthela. O policial disse que conhecia há seis anos a empresária. Segundo o PM, no dia 16 de abril, um dia antes do crime, ele recebeu uma ligação do marido da empresária pedindo que levasse um documento à residência do casal. No dia 17 de abril, data das agressões, ele chegou à casa da empresária por volta das 8h e entregou os documentos ao casal.

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Relato da vítima

A jovem descreveu as agressões que sofreu. Segundo ela, levou puxões de cabelo, socos e murros e foi derrubada no chão. Durante os ataques, tentou proteger a barriga, pois está grávida de cinco meses. A ex-patroa a acusou de ter roubado uma joia e passou horas procurando o objeto. O anel foi encontrado dentro de um cesto de roupas sujas. Mesmo após a joia ser localizada, as agressões continuaram. Ela afirmou ainda que foi ameaçada de morte por Carolina Sthela caso contasse à polícia o que havia acontecido. “Começou com puxões de cabelo. Eu fui derrubada no chão e passei boa parte do tempo ali. Foram tapas, socos e murros... foi sem parar. Eles não se importavam", disse a jovem. No depoimento, a jovem relatou ainda que um homem não identificado participou das agressões. A OAB classificou o caso como tortura agravada, além de lesão corporal, ameaça e calúnia.

Condições de trabalho

A jovem, de 19 anos, afirmou que recebeu R$ 750 por pouco mais de duas semanas de trabalho na casa da empresária. Segundo ela, acumulava funções e trabalhava quase 10 horas por dia. Entre as atividades estavam limpar a casa, cozinhar, lavar e passar roupas, além de cuidar de uma criança de seis anos. O pagamento foi feito de forma fracionada, por meio de transferências em nome de terceiros. A jovem disse que começou a trabalhar sem combinar o salário. A jornada era de segunda a sábado, das 9h às 19h, com apenas 30 minutos de intervalo.

Áudios revelam agressões

Áudios enviados pela própria empresária e obtidos pela TV Mirante registram os relatos das agressões e foram anexados ao inquérito. Em uma das mensagens, Carolina afirma que a vítima “não era pra ter saído viva”. “Quase uma hora essa menina no massacre, e tapa e murro e pisava nos dedos. Tudo que vocês imaginarem de doidice, era eu e ele fazendo", afirmou Carolina Sthela. Nos áudios, a mulher contou que teve ajuda de um homem para pressionar a empregada de forma violenta. Na manhã do dia 17 de abril, ele foi armado até a casa de Carolina.

Policiais afastados

Quatro policiais militares que atenderam a ocorrência foram afastados das funções. A medida foi tomada após a divulgação de áudios nos quais Carolina relata as agressões e afirma que não foi levada à delegacia por conhecer um dos policiais. Segundo Carolina, o agente teria dito que, por causa dos hematomas na vítima, ela deveria ter sido conduzida à delegacia, o que não ocorreu.

Antecedentes da empresária

A polícia informou que a empresária responde a mais de dez processos. Em um deles, de 2024, foi condenada por calúnia após acusar falsamente a ex-babá de roubar uma pulseira de ouro. A pena de seis meses em regime aberto foi substituída por serviços comunitários, além de indenização de R$ 4 mil por danos morais. A ex-babá Sandila Souza afirmou que começou a trabalhar na casa aos 17 anos e que o pagamento era feito por contas de terceiros. Ela também afirmou que a indenização ainda não foi paga.

Nota da empresária

Em nota, Carolina Sthela afirmou que repudia qualquer forma de violência, especialmente contra mulheres e pessoas em situação de vulnerabilidade, e pediu que não haja “julgamento antecipado” enquanto o caso é apurado. Disse que sua defesa já compareceu à delegacia e que adotará todas as providências necessárias para apresentar sua versão. Também registrou que sua família vem sofrendo ataques e ameaças.

Nota da SSP-MA

A SSP-MA informou que Carolina foi presa em Teresina quando tentava fugir, em ação de cooperação entre as Polícias Civis do Piauí e do Maranhão. O policial militar Michael Bruno também foi preso em São Luís e responde a procedimento na Corregedoria da PMMA. As investigações seguem em andamento.

Defesa do PM

A defesa de Michael Bruno informou que ele nega a prática de qualquer agressão e que sua versão será apresentada tecnicamente nos autos. A defesa está adotando providências para obter acesso aos autos e assegurar o contraditório e a ampla defesa.