Pai perde esposa e bebê em MT após demora no atendimento em UPA
Pai perde esposa e bebê em MT após demora em UPA

Tragédia em Tangará da Serra: pai perde esposa e filho após demora no atendimento

A Polícia Civil investiga a morte de Andra da Conceição e de seu bebê, Pedro Miguel, ocorrida após atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Tangará da Serra, a 242 km de Cuiabá. O bebê faleceu no dia 5 de abril, e a mãe, 12 dias depois. O Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) também abriu procedimento para acompanhar o caso.

A secretária municipal de Saúde, Angela Belizário, nega negligência e afirma que a UPA conta com reforço na equipe desde o decreto de emergência em saúde devido ao surto de gripe na região.

Relato do pai

A denúncia foi feita pelo pai, Crenival Rodrigues Ferreira, que estava com a esposa há cinco anos e aguardava o primeiro filho. “É muito doloroso. A gente preparou nove meses o quarto, as coisas, as roupas, o guarda-roupa, tudo. Nove meses preparando e o bebê não vem pra casa, nem a mãe. Eu não tenho mais alegria de viver”, desabafou.

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Na madrugada do dia 5, Crenival levou a esposa à UPA após ela passar mal e entrar em trabalho de parto. Segundo ele, após a triagem, houve demora no atendimento. O médico plantonista teria tirado fotos da genitália da esposa e enviado à ginecologista, que estava em intervalo. A gestante ficou em uma cadeira de rodas no corredor até ser transferida para uma maca.

“A demora da médica chegar foi deixando minha esposa em vulnerabilidade, porque a UPA estava ficando cheia, com gente com gripe, com Covid. Voltei a falar com o médico, e ele disse que iria examinar. Aí comecei a ligar para as pessoas e consegui falar com um médico particular. Ele falou para gente ir para o Hospital das Clínicas, então peguei minha esposa e coloquei no carro, tomando soro, e levei para o hospital particular. Eu só saí do hospital municipal porque não tive atendimento de uma profissional. Só um médico para atender aquele tanto de gente”, lamentou.

No hospital particular, foi realizada cesárea, mas o bebê nasceu sem sinais vitais. Dois dias depois, a mãe foi internada na UTI, onde ficou 12 dias em coma induzido, mas não resistiu. O primeiro pré-natal foi feito em setembro do ano passado em um posto de saúde, com acompanhamento também em clínica privada.

Dados alarmantes

Segundo o DataSUS, em 2025 foram 17 mortes evitáveis de recém-nascidos e fetos em Tangará da Serra, sendo 16 na rede privada e uma na pública. Em 2024, foram 25 casos; em 2023, 19; em 2022, 29; e em 2021, 18.

Relatos de outras gestantes

Após a repercussão, duas gestantes relataram situações semelhantes. Uma delas, em abril de 2025, com 39 semanas, foi à UPA com dores e recebeu medicação, sendo mandada para casa. Desconfiada, foi a Rondonópolis, onde já estava com dilatação. O bebê nasceu saudável.

Outra gestante, em junho de 2023, com 40 semanas, foi à UPA sem dilatação e orientada a retornar. Levada a outro hospital, a bolsa estourou com líquido verde. O médico disse que em 40 minutos o bebê poderia nascer morto. Ela e o filho sobreviveram.

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