Motorista de aplicativo é acusado de agressão e homofobia após confusão em Porto Alegre
Motorista de app agride passageiros após confusão em Porto Alegre

Confusão em Porto Alegre: passageiros acusam motorista de aplicativo de agressão e homofobia

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul instaurou um inquérito para investigar um caso grave de violência e discriminação ocorrido no último sábado (24) em Porto Alegre. O episódio envolveu um motorista de aplicativo e quatro passageiros, resultando em acusações de agressões físicas e insultos homofóbicos que mobilizaram as autoridades.

Detalhes do incidente após cortejo de Carnaval

O grupo de amigos, que havia participado de um tradicional cortejo de Carnaval na capital gaúcha, solicitou uma corrida por meio de aplicativo para retornar para casa. Segundo o relato dos passageiros, a viagem que deveria durar cerca de 10 minutos transformou-se em uma cena de violência e intolerância.

Kaiki Trindade, um dos jovens envolvidos, narrou os acontecimentos com detalhes preocupantes. Ele explicou que seu namorado estava passando mal e, logo ao entrar no veículo, pediu ao motorista que abrisse o vidro para que ele pudesse vomitar. "Ele vomitou, e o Uber pediu pra gente sair do carro. A gente tava se propondo a resolver, a pagar qualquer taxa de limpeza e resolver a situação de uma forma pacífica. A gente não teve esse mesmo retorno do motorista", afirmou Kaiki.

Escalada da violência e acusações graves

Os passageiros relatam que, ao descerem do carro, bateram a porta com certa força, o que teria desencadeado a reação agressiva do condutor. "Nisso o motorista já estava dando a volta. Ele vem pra cima de mim, aí a minha amiga foi me defender e levou uma cotovelada no rosto. Nisso ele desacordou meu namorado, que caiu, e veio pra cima de mim, falando que a gente ia ter o que merece agora", descreveu Kaiki.

Além das agressões físicas, o grupo alega ter sido vítima de insultos homofóbicos durante o confronto, o que agrava ainda mais a natureza do caso. A investigação está sendo conduzida pela Delegacia de Polícia de Grupos Vulneráveis (DPGV), especializada em crimes contra minorias.

Versão do motorista e investigação em andamento

Em entrevista à RBS TV, o motorista envolvido, que preferiu não se identificar, apresentou uma versão diferente dos fatos. Ele afirmou que o vidro do carro estava fechado porque dirigia com ar-condicionado ligado e que cancelou a viagem por opção antes da confusão.

O condutor reconheceu que houve troca de xingamentos e confirmou que os passageiros bateram com força na porta do veículo, mas negou veementemente qualquer fala preconceituosa. "Existiu xingamento pesado, mas nenhum tipo de racismo, homofobia, qualquer discriminação. Eu tô arrependido de ter iniciado uma briga. Eu desci do carro, eu podia ter ficado no carro, engolido a seco aquela batida na porta e aquele chute na porta. Eu devia ter feito isso, mas na hora me subiu o sangue", declarou.

Resposta da Uber e próximos passos da investigação

A Uber reagiu rapidamente ao episódio, emitindo uma nota oficial na qual lamenta o ocorrido e considera inaceitável o uso de violência. A empresa informou que a conta do motorista parceiro foi desativada da plataforma assim que tomou conhecimento dos fatos.

"A empresa defende o respeito à diversidade e reafirma o seu compromisso de promover a igualdade e justiça para todas as pessoas LGBTQIA+", destacou a companhia em seu comunicado.

A polícia busca agora câmeras de segurança na região onde ocorreu o incidente para ajudar a esclarecer os fatos com mais precisão. Todos os envolvidos devem prestar depoimento nos próximos dias, enquanto a investigação avança para determinar a verdade dos acontecimentos e responsabilizar os culpados.

O caso chama atenção não apenas pela violência envolvida, mas também pelas acusações de homofobia, que colocam em evidência a vulnerabilidade de grupos LGBTQIA+ mesmo em situações cotidianas como o uso de serviços de transporte por aplicativo.